terça-feira, 1 de setembro de 2026

Sociedade mentalmente enferma

 


Imagem ilustrativa


Caminhando na face do mundo sob tormentas variadas, o Espírito se percebe atingido incessantemente nos seus mais caros interesses.

Sonhos acalentados se fazem pesadelos no transcurso dos anos. Projetos longamente arquitetados percorrem trechos da ideação, mas não decolam na pista das realizações, gerando frustração e desencanto.

Amores surgem e passam pelos tecidos sensíveis da emoção, alguns deixando ressaibos de saudades dolorosas e outros mágoas de difícil erradicação.

O acúmulo de contínuos desencantos tem sido a gênese de uma série de transtornos do comportamento e da sensibilidade, produzindo uma sociedade mentalmente enferma.

Não situamos aqui as conhecidas e catalogadas enfermidades de natureza mental, quais a loucura, a catatonia, a hebefrenia, a esquizofrenia e outras tantas, mas, sim apontamos aquelas que estão a afetar a qualidade de vida do habitante do planeta em transição.

A solidão de muitos, geradora de medo de encerrar a existência sem uma companhia para ofertar solidariedade. O vazio existencial, que tem produzido uma geração de zumbis, a vaguearem nas grandes urbes sem metas nobres e saudáveis para o existir, se resumindo a consumidores das coisas produzidas, sem nunca preencherem o buraco negro íntimo.

Os que adotaram o pessimismo por bússola do próprio existir, sempre possuidores de uma nota triste e deprimente sobre pessoas e fatos, quase nunca observando o lado bom das coisas.

Os que optaram pela alienação religiosa como forma de se blindarem contra seus próprios defeitos, suas imperfeições morais, carregando na voz um discurso pronto de salvação sem esforço na gleba que lhes é própria.

Quantos delegaram suas obrigações a terceiros, mantendo-se infantilizados para o inevitável amadurecimento das responsabilidades diante das ações praticadas.

Incontáveis filhos de Deus, marchando na sociedade quais vampiros do sistema de castas ainda existente, suspirando pelo ócio remunerado e vantagens indevidas.

Multidões que fizeram da embriaguez dos sentidos fuga da realidade, buscando um paraíso fugidio nas substâncias químicas que entorpecem, prisioneiros voluntários de grilhões etílicos.

Viagens intermináveis, cuja finalidade não é criar intercâmbio cultural ou acadêmico, mas tão somente fugir de companhias indesejáveis ou manter distância de sítios onde ocorreram situações dramáticas.

Incontáveis posturas assinalam muitas almas, exibindo risos por fora e esgares de dores íntimas. Dirigem muitos, incapazes do autodomínio. Tomam decisões sobre terceiros, mas recuam, amedrontados, diante de situações em que precisam gerir o próprio destino.

Riem nas maternidades, quando brindados pela progenitura, e choram, desconsolados, quando comparecem nos cemitérios, onde sepultam afetos e amores.

Muitos estão sustentando a vida física na força de estimulantes e energéticos, verdadeiras bengalas do quimismo orgânico, sem as quais já teriam tombado nas avenidas das provações e dos testemunhos incessantes.

Para todos nós, incluindo eles, nossos irmãos que atravessam duras experiências e amargas expiações, veio ao mundo a mensagem de Jesus.

Parábolas que retratam nosso cotidiano.

Diretrizes que apontam caminhos novos.

Palavras de vida eterna. Nenhuma condenação. Inexistência de crítica porque caiu ou se equivocou. Censura alguma.

Nem prêmio, nem castigo.

Um permanente manual de vida, a ser aplicado diariamente, face às ocorrências diversas, pedindo apenas boa vontade e confiança, fé na vida futura e compreensão da posição evolutiva de cada um.

Se aceitar passível de errar, erguer-se da queda provável e prosseguir caminhando.

Começar o dia na luz da oração e encerrar o crepúsculo no silêncio que agradece e louva a criação infinita.

Se perceber gente, filho de Deus e irmão de Jesus Cristo, com amplas possibilidades de acertar o passo e retificar em si mesmo aquilo que critica nos outros.

Cada dia, um novo começo.

E se sobrevier a desencarnação, refazer a fadiga da estrada percorrida, olhar o mundo novo pelo para-brisa e não pelo retrovisor, seguindo em frente ao encontro do mestre inesquecível.

Tão velhas receitas para um mundo em decadência moral, se remendando a cada dia através da melhoria mental de seus próprios inquilinos.

Estará faltando algum item nesse receituário de bem-estar e confiança no Poder de Deus?

Sigamos. 

O novo dia já começou...

Marta ( Espírito)

Juazeiro, 26.06.2026


Médium: Marcel Mariano