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JESUS NUNCA DISSE PARA LERMOS A BÍBLIA
Jesus nunca disse que devemos ler a bíblia ou mesmo fazer da bíblia um livro sagrado. Jesus nunca disse em nenhum momento nos Evangelhos: “leiam a Bíblia” ou “façam da Bíblia o único livro sagrado”. As igrejas inventaram essa máxima ee isso foi disseminado como sendo uma verdade inquestionável, mas não encontra base nos ensinamentos de Jesus. Até porque, na época de Jesus, o Novo Testamento ainda não existia, ele só começou a ser escrito décadas depois da morte de Jesus. O que existia eram as escrituras judaicas (Tanakh), conhecidas pelos cristãos como Antigo Testamento, e mesmo essas não estavam reunidas em um único “livro” como conhecemos hoje.
Jesus não escreveu nada do que está na Bíblia, e os livros que compõem o Novo Testamento foram escritos por seus seguidores e por outros autores ao longo de várias décadas após sua morte. A definição do cânone bíblico, ou seja, a seleção de quais livros seriam considerados “inspirados”, foi feita por líderes eclesiásticos séculos depois, por meio de concílios, debates e disputas de poder, especialmente a partir do século IV.
Onde jesus disse que devemos tratar a bíblia como sagrada? Onde Jesus disse que não devemos ler outras obras da espiritualidade universal, como o Bhagavad Gita, o Tao Te Ching, o Dhammapada, e outros? Não foi nem jesus que escreveu a bíblia e nem que reuniu os livros que foram colocados na bíblia e nunca determinou quais livros seriam excluídos da Bíblia.
Existem mais de 200 livros apócrifos que não foram incluídos na Bíblia, mas que foram escritos pela tradição judaico-cristã da época. Existem muitos evangelhos e textos apócrifos, incluindo o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Maria Madalena, o Evangelho de Filipe, os Atos de João, Pistis Sophia, entre outros. Esses textos foram excluídos por diversos motivos, incluindo conflitos com doutrinas que a Igreja desejava consolidar, suspeitas de autoria ou conteúdo considerado “herético”. Isso significa que, ao longo dos séculos, a igreja definiu, de forma arbitrária, quais livros deveriam entrar e quais deveriam ser excluídos.
Foi no ano 325 d.C., no Concílio de Niceia, sob o imperador Constantino, que se decidiu oficialmente por um cânone unificado. Muitos evangelhos foram banidos e considerados “heréticos”, não porque fossem falsos, mas porque não serviam à estrutura de poder da Igreja em formação. A partir daí, surgiu a ideia de que somente a Bíblia, e só aquela versão, seria sagrada. Jesus, porém, nunca criou uma igreja, nunca fundou uma religião, nunca disse que Pedro seria papa e nunca escreveu um livro. Sua “Palavra” era viva, presente, universal, e acessível a todos.
Por outro lado, Jesus nunca disse que seus seguidores não poderiam aprender de outras tradições. Aliás, ele próprio usava muitas imagens e parábolas universais que podem ser encontradas em outras tradições espirituais. Proibir outras leituras é algo que surgiu muito tempo depois, por parte de instituições religiosas que buscaram manter o controle ideológico e espiritual sobre os fiéis. Há parábolas de Jesus que já eram encontradas no Budismo, como por exemplo, a fila de cegos guiando outros cegos, que é uma parábola ensinada por Buda. Ou o filho pródigo, que é também uma estória budista antiga. Ou como as tentações de Jesus, muito semelhantes as tentações de Buda com Maia, o demônio das ilusões. Se existem esses paralelos entre os ensinamentos, por que devemos acreditar que somente a Bíblia é sagrada e outras tradições, com seus livros, não podem ser lidos ou praticados?
Portanto, a ideia de que somente a Bíblia é “a palavra de Deus” é uma construção bem posterior a Jesus, feita por concílios e igrejas com interesses muitas vezes mais institucionais do que espirituais. A mensagem de Jesus, ao contrário, é aberta, direta, e convida à experiência viva do amor, da verdade e da compaixão, algo que transcende livros e fronteiras religiosas.
(Hugo Lapa)

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