Imagem ilustrativa
Tanto quanto às civilizações, cada Espírito é o somatório de suas experiências vividas, assinaladas por misérias e holocaustos, gestos de grandeza e de impiedade, sulcando o ser de maneira indelével.
Will Durant e esposa, durante quatro décadas, dedicaram-se em produzir a história da civilização ocidental, obra escrita em onze volumes, retratando apogeu e decadência das principais culturas do Ocidente, bem como de suas relações com a cultura oriental.
Desfilam as grandes nações, desde a Mesopotâmia, Egito, Suméria e Fenícia, em apanhado minucioso nos anais da história, espelhando glórias filosóficas e tragédias bélicas, retrato vivo dos contrastes da criatura humana, em seu despertar para os valores do campo moral. E tanto quanto as coletividades, igualmente somos retalhos vivos de nossas ações no mundo, grafando com tintas imorredouras nosso livro da vida.
Gestos impensados em momentos de loucura, produzindo páginas de dor e remorso.
Cartas de traição a afetos queridos, fazendo retornar ao nosso campo emocional lágrimas de arrependimento e tristeza, solidão e abandono.
Condutas equivocadas, onde o ego se exibe com suas torpezas e frieza, retrato incontestável de nossa inferioridade moral, edificando resgates dolorosos para o porvir.
Em meio a um emaranhado de filosofias e religiões diversas, onde procurou antropomorfizar Deus pelos filtros rasteiros dos raciocínios calculistas da posse e da arrogância desmedida, o ser experimentou glórias e ascensões passageiras, demandando o túmulo sob a zombaria de incontáveis vidas destruídas pela insânia e agressividade.
Mas, a caminhada do homem no mundo não está unicamente assinalada pelos comportamentos torvos e pela conduta equivocada, pois os anais da saga dos povos igualmente registraram os atos de coragem e bravura.
A renúncia em favor da liberdade. As vidas doadas para que a ciência triunfasse sobre a ignorância. A abnegação de missionários anônimos. A caridade desconhecida, que livro algum anotou.
E entre tantos vultos célebres que percorreram os escorregadios salões da fama e do destaque, a mensagem do Cristo se sobreleva sobre todas, mostrando a força do espírito e a grandeza da alma.
Erguer os caídos.
Amparar os vulneráveis.
Cuidar dos enfermos.
Alimentar os famintos.
Prestigiar a verdade e a honra, num contexto social onde a hipocrisia e o fingimento têm tido maior destaque.
Convidar o ser a meditar sobre a impermanência de tudo que seja posse ligeira, a fim de que o investimento na vida espiritual se faça prioridade em cada destino.
Jesus Cristo se destaca não pelos louros transitórios, jamais pela beleza física ou pelos poderes que demonstrou na manipulação da matéria, mas sim pelo impacto que causou nas vidas que se lhe cercaram quando de Sua passagem entre nós e pelas incontáveis existências que adotaram Seus princípios, buscando refazer caminhos, domando o corcel das paixões.
Outra não pode ser a finalidade da vida a não ser o indivíduo tornar-se melhor a cada dia. Conter suas inclinações infelizes, ampliar sua luz íntima e descobrir em si mesmo a força divina que o emula nas trilhas da evolução.
O intercâmbio com os seres desvestidos de carne pela morte, especialmente nos últimos dois séculos, tem carreado aos cativos da matéria um colossal acervo de informações incontestáveis de que a vida não começa na fecundação, nem se dilui na decomposição cadavérica. Antecede o berço e sucede o túmulo, prosseguindo muito mais vibrante e florida depois da libertação da cela corpórea.
O amor foi, é e sempre será a essência da vida, base na qual os futuros pilotis da civilização encontraram treliça para edificação de uma humanidade justa e solidária.
Aos novos cristãos, bafejados pelos ventos suaves da imortalidade, cabe indeclinável tarefa. Hastear a flâmula da imortalidade acima das expressões vazias da cultura materialista, em voga numa sociedade que parece ter perdido o endereço de Deus e o sentido existencial.
A educação será a principal ferramenta do novo tempo. A vivência da doutrina de Jesus tem regime de urgência. E os elementos morais em convulsão pouco a pouco serão acalmados, patrocinando a era de regeneração, ansiada desde já, em marcha para a paz inabalável.
Marta e Yvonne A. Pereira (Espìritos)
Salvador, 11.01.2026
Médium: Marcel Mariano
Yvonne A. Pereira



Nenhum comentário:
Postar um comentário