quinta-feira, 27 de março de 2014

EDUCAÇÃO Aprovada em 6 faculdades de medicina, baiana conta como se preparou para provas.

Maria Carolina na Famed, Ufba (Foto: Amana Dultra)


Maria Carolina esnobou a Unicamp, 2ª melhor universidade do país, e conta porque optou pela Ufba

Ao pé das escadas da antiga sede da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Terreiro de Jesus, Pelourinho, Maria Carolina Dias, 17 anos, se lembrou da foto de galera tirada quando visitou o prédio histórico na semana passada. A visita fazia parte de uma das atividades nos primeiros dias de aula da graduação em Medicina na Ufba – escolhida entre as seis universidades onde foi aprovada, na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. 
A despeito do sorriso discreto, da voz cordial e do comportamento sutil, a adolescente — que diz  sempre  ter se preservado da repercussão com os títulos no colégio — vem sendo muito assediada. As notificações  de colegas no aplicativo WhatsApp não pararam ontem, depois  que a ex-estudante do Instituto Social da Bahia (Isba), já premiada em olimpíadas de Física, Matemática, Química e Astronomia, começou a ter seu hexa em Medicina divulgado em diversos sites.
Entre os que repercutiram a conquista da jovem, aprovada para Medicina da Ufba, Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),  uma amiga disparou pelo aplicativo : “Nada humilde você, sambou na cara da sociedade. Deu um tapa na cara de quem não passou na Unicamp”. A Unicamp é a segunda melhor Faculdade de Medicina do país, segundo ranking 2013 da Folha de S. Paulo, e está entre as nove melhores, segundo o Guia do Estudante. 
Comedida, Maria Carolina explica que optou pela Ufba porque preferiu  manter o conforto de morar com os pais, além de admitir o sonho antigo de cursar a Ufba e o curto prazo que teve para realizar a matrícula em São Paulo. “Ter achado que fui mal no Enem me deu gás para a segunda fase da Unicamp que foi, de longe, a mais difícil”, diz a estudante que começou a  desejar a Ufba desde que o pai  se tornou médico pediatra. 
Maria Carolina sempre manteve bons resultados na escola. A bagagem permitiu, assim, encarar com mais leveza as provas.  Estudava até duas horas por dia, mas costumava se punir  pelo devaneio no game Candy Crush. 
Entre escola e cursinho, de segunda a quarta-feira, ela ficava fora de casa das 6h30 às 17h. Às vezes, era a única plateia de cursos de apoio. Sobravam  as  quintas e as sextas, à tarde, para estudar em casa. Ela, então... dormia. “Claro que tinha peso na consciência, mas eu acordava muito cedo todo dia, então tinha sono e dormia umas duas horas”, lembra. Aos sábados, ia ao cinema ou saía para conversar  com os amigos.
Aos domingos, nada de descanso:  ela debruçava-se nos materiais de estudo por cinco horas. A dica é perseverança. “Estava disposta a fazer mais um ano de cursinho caso não passasse”, conta. Em meio a tantos estudos, e o  namoro? Acabou. Mas ela garante que não teve nada a ver com a rotina e que só terminou depois das aprovações e justamente por causa da incompatibilidade de horários: agora, um estuda de noite e o outro, de dia. 
E que ninguém pense que o volume de estudos diminuiu. Interessada em livros com conteúdo histórico, ela estagnou nas primeiras dez páginas de O Físico (Noah Gordon). Isso porque, para semana que vem, tem a reles tarefa de  decorar todos os nomes dos ossos do crânio. Eis uma ironia: um crânio estudando o crânio.
     


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