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Na penosa travessia dos caminhos terrestres, surge natural o anseio da grande maioria por facilidades na estrada, diminuindo ou suprimindo os gatilhos contrários aos ideais no formato de sonhos.
A abastança material.
A saúde inexpugnável.
A família sem problemas.
A alegria inalterada.
Entretanto, na quase totalidade de um planeta onde enxameiam almas em aflições superlativas, mossas morais por toda parte e dolorosos resgates de existências fracassadas, a dor e a escassez, o sofrimento e a limitação surgem por freios divinos em favor da própria criatura humana em aperfeiçoamento.
O que é pedido nunca é concedido de maneira integral.
A felicidade sonhada surge em gotas a cada dia, não raro tisnada de ocorrências dolorosas e temperada com frustrações contínuas.
A saúde robusta de uma hora cede lugar à infestação de bacilos e enfermidades cruéis, adiando realizações acalentadas.
O recurso monetário amealhado para essa ou aquela finalidade é constrangido a ser empregado no socorro a terceiros ou simplesmente evapora na subtração indevida, perpetrada por empreiteiros do crime.
Sonhos se fazem pesadelos.
A própria moradia, item básico da sobrevivência e termômetro da cidadania, desaparece de uma hora para outra, instalando o desgoverno em muitas almas imaturas.
Sim, a caminhada pelas veredas da Terra nem sempre se faz como navegar num mar de rosas. Incontáveis trechos estão assinalados por provações difíceis e testemunhos quase que insuperáveis.
Mesmo quando amparado por uma fé dogmática, o crente tem dificuldades em assimilar os óbices do percurso e compreender sua finalidade educativa, no contexto de uma evolução mais ampla.
O limite material que amplifica a visão da própria realidade espiritual. A punhalada nos tecidos sensíveis da emoção, nos impondo entender que o verdugo é um agente inconsciente das divinas leis, que se vale do ato insano para corrigir nossa rota pelas trilhas dos relacionamentos interpessoais.
A queda não prevista, lecionando maior segurança no trato com amigos instáveis.
A limitação que surge inesperada, facultando tempo mais dilatado para mais oportunas reflexões.
O leito hospitalar demorado, permitindo selecionar investimentos no campo da aquisição de valores adstritos à impermanência de tudo que é material.
E quando a bandeira cristã tremula no barco do admirador do Cristo, as agonias da travessia parecem mais aflitivas. O mundo parece um cenário de cruzes e farpas, onde raramente o aprendiz encontra acolhimento e compreensão.
Nunca agrada.
Raramente é escutado com a dignidade que lhe é devida. Sofre, frequentemente, ácida crítica dos não adeptos e muitas vezes faz a travessia em solidão.
Sorri muito pouco, mas chora com frequência, diminuindo as tensões internas que o avassalam.
Quando está em oração, a maioria preferiu a distração dos sentidos, buscando os folguedos do mundo para fruição de sensações ligeiras.
Mas, mesmo quando sofre o apodo e o linchamento moral da maioria ainda não cristianizada, nunca está sozinho.
O segue uma legião de amigos além da cortina física, o amparando nas horas difíceis e o assistindo nas provações do caminho.
Da vida maior, segue-lhe o Divino Amigo daqueles que não possuem uma pedra onde repousar das fadigas terrenas.
Filho da luz, se adotaste a bandeira do Cristo, segue no mundo como não tendo porto certo para ancorar tua frágil embarcação. Ainda é muito difícil ser compreendido quando a vida futura torna-se prioridade, se abstraindo das ilusões da carne passageira.
Pagando pedágio moral, segue e serve em silêncio.
Ora e confia.
Vez por outra, experimentando alguma pausa em tuas lutas que ninguém enxerga, presta atenção no lírio do campo e na ave que singra os céus de anil.
O lírio ignora se amanhã estará na haste que o sustenta e o pássaro desconhece a gaiola que pode vir a aprisioná-lo.
Um perfuma e o outro canta.
Onde estiveres, promove a alegria de alguém e torna-te primavera nas paisagens sombrias dos que transitam sem esperanças.
Jesus sabes quem és e nisto reside toda a diferença.
Marta (Espírito)
Juazeiro, 28.12.2025
Médium: Marcel Mariano


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