domingo, 7 de dezembro de 2025

Três magos do Oriente

 


Imagem ilustrativa


Senhor meu, ainda era criança quando alguém me falou de ti. Teceu narrativa colorida em torno de teu nascimento, e me vi arrebatado pelo fascínio de teu Natal. 

Era um sonho de menino, e nunca mais tua história me saiu dos pensamentos. 

Senti ânsia de buscar-te numa pátria distante, dando-me conta da minha pobreza em empreender uma viagem tão longa. 

Teu berço fora numa terra estrangeira. Tua maternidade se fizera numa estrebaria desprovida de luxo ou qualquer conforto.

E num domingo de ventos calmos no arvoredo, onde pássaros trinavam, felizes, no galho da laranjeira, comecei minha jornada, à semelhança de um rei mago, sem portar entre os pertences a mirra perfumada, os incensos de Bangalore e o ouro da entranha da terra. 

Tinha apenas um cajado para apoiar o corpo e defender-me das feras. 

Tantos anos se passaram na minha caminhada, onde a fome rondou-me o corpo, a sede abateu-me a esperança e o cansaço insinuou de tudo desistir. Mas eu já te amava e temia confessar meu amor. 

Passei ao sopé do Himalaia, rompi cadeia de montanhas geladas e singrei por córregos quietos, tomado de lótus perfumados. 

Não sei precisar quantas décadas levei na busca por teu sorriso, tua feição de menino e teus cabelos dourados, qual trigal maduro, iluminado pelo poente de fogo. 

Enfim, encontrei teu berçário, mas ele já estava deserto e outros animais haviam tomado espaço. Um nativo me apontou as terras do Egito e para lá encaminhei meus pés cansados da poeira das estradas. 

Encontrei a esfinge silenciosa e a tumba dos faraós dormindo o sono profundo dos milênios sem fim. 

Retornei à Palestina e busquei tua presença em Nazaré, Cafarnaum e Jericó. Em cada peregrino que consultei por informações de teu paradeiro, esclareciam-me que já trilharas aqueles caminhos ensolarados e que, talvez, ainda estivesses em Jerusalém. 

Após árdua jornada, penetrei na cidade dos profetas, do templo de Salomão, escutando narrativas de Teu calvário, num tempo já vivido. 

Olvidei que já era um adulto, que cresceu na marcha em busca de ti. 

Olhei minhas mãos cheias de cicatrizes, os pés sofridos do terreno pedregoso e tive saudades de retornar às terras em que nasci. 

Mas tua mensagem me alcançou os portais do coração. Tuas narrativas povoaram minhas noites de sono. Tuas parábolas encheram meus olhos de lágrimas. 

Volvi à Belém de Judá e busquei teu cenário de nascimento, onde vestistes a túnica de carne para nos lecionar o amor. 

E na noite de teu Natal, hóspede da natureza e observador do firmamento estrelado, notei imenso astro no infinito, incidindo mansa claridade no planeta em densas sombras humanas. 

Uma melodia jamais escutada arrebatou-me os sentimentos.

Três magos do Oriente me surgiram à frente, indagando do exato local de Teu mergulho nas procelas corporais.

Pude apenas balbuciar num cântico de amor e numa sinfonia de emoção arrebatadora:

~ O meu Rei já nasceu, já viveu entre nós e nunca morreu, hoje inspirando o mundo pela vigorosa luz da fé, pelo caudal da esperança e pelas flores do amor. 

~ Sigamos juntos! 

Já é Natal na Terra em festa por misericórdia D'Ele. 


Marta e R. Tagore (Espíritos)

Salvador, 07.12.2025


Médium: Marcel Mariano




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