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O panorama dos dias terrestres está a se alterar constantemente. Não nos referimos aqui tão somente ao movimento de placas tectônicas ou eclosão de vulcões, maremotos ou catástrofes climáticas, mas igualmente ao suceder contínuo de mudanças na organização social, fruto da dinâmica da própria sociedade, a buscar conforto, moradia e trabalho.
Desde eras remotíssimas, temos produzido volumosa bagagem de conhecimento científico, cogitações filosóficas e reflexões dogmáticas no terreno delicado da fé, erguendo templos e santuários para cultivo do ato de conceber Deus e sua onipotência. Nossas bibliotecas físicas jazem abarrotadas de livros e pergaminhos antigos, atestando nossas buscas sôfregas pelo entendimento da vida, eliminação do sofrimento e preenchimento do vazio existencial.
Patrocinamos esportes, olimpíadas e jogos mundiais, onde as nações possam cultivar laços fraternos, e periodicamente a goela sedenta da guerra surge qual dragão vomitando fogo, a calcinar o terreno onde pousamos os pés.
O caos parece violentar a harmonia, o conflito estende tentáculos de sangue e fratricídio se generaliza, produzindo luto e dor.
Onde localizar pontos de conexão entre a civilização e a barbárie? Como compreender milhares de séculos de ética e religiosidade, esfaceladas ao troar de canhões e mísseis, obuses e metralhas, drones e aviões militares de última geração?
Ao lado do riso das fugidias alegrias, posta-se o pranto das incessantes carnificinas patrocinadas pela incúria e avareza. Admiráveis construções do pensamento, reduzidas a pó num instante de insânia e loucura.
Incontestável reconhecer que se o cérebro se agigantou, devassando segredos da natureza antes insolúveis, o coração padece de hipertrofia, ainda sobrenadando os instintos e sob regência das paixões em descontrole.
Vidas são exterminadas por coisa nenhuma.
Imperioso o resgate da ética, a vivência da fraternidade legítima e o exercício da capacidade de escuta do outro. Diminuir a robotização desordenada, buscando estreitar laços de afeto, que não podem ser construídos por chips e bem elaborados vídeos da inteligência artificial.
Perceber-se como um espírito em evolução, necessitado da parceria para construção de uma convivência pacífica e saudável. Não abrir mão de princípios nobres, mas aceitar que o outro não adquiriu todo o discernimento que lhe é possível.
E quando os modelos e manequins humanos tombem na própria falácia, caiam nas valas escorregadias da hipocrisia e sigam por equivocados caminhos, buscando o fingido aplauso do mundo, que o cristão decidido não perca seu norte moral e sua bússola existencial.
A figura de Jesus se avulta cada vez mais entre os escombros de uma sociedade decadente, sinalizando o fim de um ciclo evolutivo e começo lento de uma nova era.
O sacrifício de alguns será ganho para milhões. A abnegação de poucos redundará em fartura para incontáveis e o cansaço do servo fiel descansará outros ombros fatigados.
Se ouviste a voz d'Ele no recesso de tua alma, certamente foste escolhido para a difícil semeadura nestes tempos de incerteza e crença cega.
Ombrearás com os violentos e presunçosos, silenciando teus desejos e alimentando a esperança desnutrida.
Cultivarás em solo onde outros desistiram. Se faltar ferramentas, tuas mãos cavarão a gleba difícil, na ensementação promissora.
Mais tarde, bem mais tarde, elas florescerão e frutificarão, eliminando do mundo a fome de paz e confiança.
Onde, como e com quem estiveres, oferta notícias desse tempo novo. Sê tu a carta viva do próprio Evangelho.
Onde tombares, Deus te levantará e o Cristo pensará tuas feridas.
Marta (Espírito)
Cruz das Almas/Ba, 01.03.2026
Médium: Marcel Mariano










