Imagem ilustrativa (Rio São Francisco- Juazeiro/Petrolina)
Quando nos debruçamos sobre os compêndios da história universal, não será difícil perceber como as civilizações do passado se fixaram em rios volumosos, ali florescendo e frutificando até o seu eclipse.
Heródoto de Alicarnasso, considerado por muitos como o pai da história, teve ocasião de afirmar ser o Egito um presente do Nilo.
Chineses fizeram sua cultura florescer às margens do rio amarelo (Yangtze) e outros igualmente famosos. O volga, que abastece parte da Rússia e ainda se faz excelente meio de transporte náutico. Em Paris, o Sena e seus pontos turísticos. O Mississippi, nos Estados Unidos da América e os rios Reno e Danúbio, vivificando as paisagens da velha Áustria.
O rio Amazonas e o São Francisco, banhando o norte e grande parte do nordeste brasileiro.
Sim, as culturas do passado não poderiam sobreviver sem água doce, alimento farto e meio de locomoção por via aquática.
Hoje, muitos estão fortemente poluídos, assoreados, carentes de cuidados ante a degradação crescente pelo seu uso indiscriminado, utilizados como escoadouros de detritos das imensas comunidades às suas margens.
O Excelso Peregrino igualmente se utilizou do Jordão para sua peregrinação entre os homens. Percorreu as aldeias que margeavam o piscoso Tiberíades, alforriando almas dos grilhões da morte espiritual.
Em incontáveis vezes, se referiu à água como símbolo da vida, berço onde o Espírito imortal se veste de carne para o desiderato da evolução.
Uma gota de água masculina e outra feminina se unem, na intimidade sagrada do santuário reprodutivo, facultando que mais tarde um ser que chega quase a oitenta por cento de líquido se manifeste na vida física, atuando no mundo para a construção de sua própria realidade.
Em toda parte onde houver a presença da matéria sob formato liquido, quase sempre a vida brota na sua intimidade, como ocorreu nos primórdios da Terra, em eras remotíssimas. Nos seios dos oceanos salgados, a vida se articulou em torno de um protoplasma e uma centelha psíquica, fazendo a vida agitar-se em multiplicação frenética.
Em tempos atuais, nosso olhar se debruça sobre uma infinidade de existências que reclamam o líquido precioso para mantença da própria sobrevivência. Tomando-a por símbolo maior da vida, imagina-te sendo uma seiva fecunda, a influir em outras vidas.
Tuas palavras. Gotas de orvalho no oásis de alguém.
Um gesto teu. Chuva benfazeja na secura moral de um amigo.
Um escrito endereçado a outro coração. Transfusão de esperança nos desfalecidos da estrada comum.
Uma oração em favor de alguém visitado pelo infortúnio e pelo desespero. Brisa de fé e aragem de claridade, dissipando as sombras da noite tormentosa.
Não aguardes ser o manancial ou açude, estuário ou baia poderosa. Sê, desde hoje, um aquário miúdo ou um copo de água fresca na garganta ressequida de alguém em soçobro emocional.
Quando te fazes mourão ou cais improvisado, resguardando o barco da existência de alguém perdido ou desorientado, Deus se aproveita de ti na construção de um estuário bem maior, acolhendo argonautas em rudes travessias.
Teu rebocador jaz no estaleiro da indiferença ou já consegues fazê-lo navegar no oceano vasto das necessidades humanas?
Faze-te, desde já, o décimo terceiro apóstolo, investindo na pescaria de homens e mulheres que se perderam nas águas revoltas das experiências desafiadoras.
O Cristo acalmará tuas tempestades interiores.
Marta (Espírito)
Salvador, 22.03.2026
Médium: Marcel Mariano












