As gerações se sucedem, e cada uma delas tem DNA próprio. Muito se critica as antigas gerações pelo comportamento atrasado, hábitos patriarcais e quase nenhum lazer. A religião era cultura imposta pelos genitores, que desde cedo impunham aos filhos a aceitação da crença que lhes era comum, sem possibilidade alguma de livre escolha.
Não raro, surgia o filho rebelde, a criança fechada, o adolescente formatado naqueles padrões culturais, dificultando o relacionamento social em bases mais saudáveis e ricas de permutas.
E se o observador dirige o olhar para tempos mais recuados na história, constatará o menino crescendo à sombra do pai, buscando desde cedo imitar-lhe o comportamento guerreiro, as dissipações sexuais e a sede de triunfo militar sobre inimigos e tribos opostas.
À menina, guiada pelo instinto materno, nada mais restava senão acrisolar o saber doméstico, as prendas do lar e aguardar que o varão da família decidisse seu casamento com um destemido conquistador.
Sob o sopro da renovação cultural, a melhoria de métodos educativos, o avanço das ciências e do intercâmbio entre culturas diferentes, a sociedade foi incorporando novos valores, o menino fez-se empresário em vez de cabo de guerra e a menina passou a decidir o próprio destino.
Aí temos as novas gerações, fartamente servidas de tecnologia de ponta, na sua grande maioria, articuladas nas redes sociais, sedentas de prazeres e sensações que lhe foram negadas em outros tempos.
E os resultados não se fizeram tardar.
Tem-se, mas não se é.
O vazio existencial massacrando milhões, que se sentem despossuídos de metas para o existir.
Não obstante envolvidos em grupos diversos, terrível solidão afetiva os devora diariamente, produzindo tristeza e amargura crescente.
Corpos esculpidos e mentes atrofiadas.
Quando abraçam alguma religião, participam do culto com o corpo, mas a mente, quase sempre muito agitada, paira em longínquas terras de sonhos não realizados.
Permutam o dia pela noite, em baladas intermináveis, buscando desgastar a energia e a adrenalina excessiva que os mantém ansiosos o tempo todo, sem pausa para as meditações imprescindíveis.
Quase nenhuma cogitação sobre a vida após a morte, porque prisioneiros de apelos midiáticos e relações interpessoais que insistem no não pensar, apenas no fruir de prazeres intermináveis.
Certamente que o panorama aqui apresentado não se ajusta à totalidade de jovens e moços, homens e mulheres de quadras diferentes. Em muitos lugares encontramos a mocidade antenada com os ideais cristãos, mesmo que sob certo verniz do fanatismo eclesiástico. Homens e mulheres envolvidos com ONGs, libertando animais de cativeiros hediondos, lutando pela preservação da vida de cetáceos em vias de extinção ou chamando a atenção de autoridades públicas para o desmatamento e a preservação do meio ambiente.
Indiscutivelmente dispomos de admiráveis recursos de comunicação ligeira, notícias em tempo real, festivais de música e gastronomia, copa do mundo de futebol e olimpíadas a cada quatro anos, mas impossível ignorar que varre a atual civilização um vento de desânimo e ansiedade, depressão e pessimismo, onde o horizonte de uma guerra mundial parece ameaçar de destruição milhares de séculos de cultura, ética e filosofia.
Quando ansiamos por contatos imediatos de terceiro grau, aquele em que poderíamos travar relações mais diretas com civilizações alienígenas, governos insistem no rearmamento dos povos, no desenvolvimento de armas inteligentes e artefatos de destruição em massa, para se afirmarem senhores do mundo.
Que mundo restará após um conflito bélico, onde dispositivos nucleares sejam utilizados em larga escala?
Impostergável e urgente necessidade temos de refletir sobre a conduta e o pensar desses dias modernos. Nossas metas e achados.
De que geração viemos, qual a herança herdada de nossos pais e que espólio moral e cultural estamos deixando no mundo, como marcos de nossa breve passagem pelos rincões da escola planetária.
Em surgindo a dúvida, a inquietação íntima, busquemos lugar afastado do burburinho, silêncio nos equipamentos móveis de comunicação e mergulho em si, viajando pelo desconhecido país interior, onde lograremos nos situar melhor sobre nossa interferência em tantas vidas que nos cercam.
E se o medo ou o remorso ameaçarem nos convulsionar a casa mental e as cordas do violão cardíaco, nos deixemos arrastar pela poderosa lembrança D'Ele, que viveu numa sociedade caótica, guerreira e conviveu com pessoas tóxicas e refratárias ao novo pensar, que surgiu em Belém e se espalhou pela Palestina, antes de ganhar o mundo em progressão contínua e suave.
Jesus Cristo, paradigma de jovens e velhos, criança e adulto, homens e mulheres, continua patrocinando luz nos corações, sorriso nos lábios e fé ativa em meio ao desânimo que ronda bilhões de indivíduos.
Se tens a mínima notícia D'Ele, és um convocado para inocular sangue novo no organismo debilitado da atual geração.
Se és velho ou novo, isso pouco importa.
Importa ser carta viva do Evangelho, semeando esperança e paz onde estiver.
Marta (Espírito)
Juazeiro, 30.05.2026
Médium: Marcel Mariano