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E eis que o peregrino solitário das estradas ermas se viu diante da rota trifurcada. Cada uma apontava rumos novos, possibilidades nunca antes experimentadas, desafios na sua compreensão.
A avenida da filosofia milenar. O berço socrático, as inquietações dos primeiros pensadores. O volumoso acervo das interrogações sem respostas. Os milhões de pergaminhos, produzidos pela ânsia da investigação mental. Os papiros da revolta, os manuscritos da saudade ante às portas do mausoléu triste e silencioso.
De onde surge tanta gente, sugada pela piscina uterina, para os testemunhos do mundo? E para onde seguem estes jovens, arrancados da seiva da vida no verdor dos anos de sonhos e prazeres?
Onde se oculta a felicidade, que aparece num beijo e falece numa traição? Que fizeram da esperança, a se nos afigurar um pássaro cativo pelas correntes da maldade?
Qual a razão dessa miríade de pirilampos na noite, tão distantes das mãos e tão perto dos olhos, nevoados de pranto?
Ó, filosofia, quem sois, crivada de perguntas, a quedar-se em majestoso silêncio?
Aclarai, respondei aos rogos dessas mães saudosas dos filhos defuntos, desses viúvos amargurados, desses amigos enlutados pela separação abrupta dos afetos mais caros.
Na segunda trilha, eis o facho da religião.
Seus templos de pedra, suas fachadas nobres e suas sacristias impenetráveis ao vulgo. Naves solitárias, onde as almas silenciam na oração que pede, que implora, que suplica.
E estes santos de pedra sabão, de argila, revestidos de mármore ou de ouro, de faces impassíveis para as dores humanas.
Onde a resposta para o que nos sucede após a morte? Para onde vai toda essa gente que o coração parou de bater?
Que força é essa que arrancou dos braços da jovem mãe seu filhinho tão longamente desejado, cravando saudade atroz e lágrimas sem fim?
Porque o Senhor não ouve a súplica dos órfãos, dos solitários e dos famintos? Que contraste é esse onde um brota do berço de ouro, amparado pela riqueza excessiva, e aquele surge no grabato de miséria, na enxerga da carência quase que absoluta, percorrendo desde cedo a vereda da fome e da sede de quase tudo?
Se ensinas que somos todos filhos do mesmo pai, equacionai a razão da intolerância, do fanatismo e do anátema a quem reza por cartilha diferente?
Em meio a tantos pastores e condutores de almas, cada dia maior o número de ovelhas perdidas, largadas no pasto da brutalidade, sob espreita de lobos rapaces e sanguinários.
Porque ainda não chegou até nós o tão decantado reino de Deus, eliminando diferenças e nos fazendo irmãos uns dos outros?
Quantos eleitos para os campos Elíseos?
Quantos degredados para as regiões de labaredas?
E, contorcendo-se de dor, eis que a alma inquieta vislumbra a terceira via, faiscante de luzes e engenhos tecnológicos.
Máquinas que fazem trilhões de cálculos em segundos, bólides espaciais de última geração, comunicações instantâneas, transferências bancárias num piscar de olhos.
E um mundo de algoritmos, chips e terabytes descortinam prazeres nunca experimentados antes.
Seguidores substituem os amigos.
Pessoas indesejáveis, facilmente deletáveis numa tecla.
Aplicativos que corrigem faces cansadas, rostos desfigurados pelo tempo, corpos inarmônicos que surgem nas telas como figuras da mitologia antiga.
Milhões de frustrados diante de uma matrix insaciável, devoradora.
A inteligência artificial reduzindo o trabalho dos neurônios, e por dentro a ancestral busca da felicidade, do sentido existencial.
Pausa.
Respira fundo, silencia o intelecto em desgoverno, qual corcel selvagem.
Aclara tua tela mental e deixa-te arrastar para uma praia de níveas areias. Um homem parece falar a uma massa de povo, sentado num barco simples. Sua voz está impregnada de ternura, seus gestos são suaves como a brisa da manhã. Seu olhar abarca todos.
Crianças mirradas, velhinhos trôpegos, mulheres vencidas pelo cansaço e homens assaltados pelo mudo desespero.
Também buscam estradas novas.
Pedem orientação.
Clamam por auxílio e justiça.
Jesus a ninguém deserta ou abandona. Acolhe e entende o momento evolutivo de cada um, pronunciando palavras de luz:
~ Vinde a mim, todos vós, cansados e oprimidos! Eu vos aliviarei!
Quando perderes o rumo pelos caminhos terrestres, levantai os olhos para o céu. De lá virá a bússola que te guiará os pés para a eterna ressurreição.
Marta (Espírito)
Salvador, 12.04.2026
Médium: Marcel Mariano.











