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Entre os temas mais palpitantes da atualidade situa-se o das lutas íntimas, aquelas que erguem arenas na intimidade de cada um.
Conquanto não vistas, são cruéis e amargos embates que cada criatura trava contra sua natureza inferior, muitas vezes em estímulos para fossas morais de difícil descrição.
Trato fino na convivência, mas o impulso incessante para a brutalidade. Palavra bem posta em momentos de conveniência e linguajar chulo na roda de amigos mais reservada. Análise serena de acontecimentos e fatos quando na tribuna da oratória, mas crítica ácida e rude quando entre alguns poucos.
Se atendido nos desejos e vontades, faz-se modelo de educação social e fidalguia, mas quando contrariado nas expectativas, ruge que nem um leão acuado, explodindo em agressividade que assusta.
Sim, somos realmente desconhecedores de nós mesmos. Em incontáveis ocorrências do cotidiano, manejamos a mais ampla cultura sobre terceiros e desconhecidos, mas ignoramos nossas resistências aos embates da vida e quase nada sabemos sobre nossas reações.
Inabituados à meditação, atravessamos a existência física quais rochas impermeáveis, até que a dinamite das frustrações nos provoque fissuras no ego contrariado. Sonhos e projetos se fazem inatingíveis e perdemos o equilíbrio que nos resta. Parte da vida faz-se amarga, indigesta, e só a muito custo o círculo de familiares e amigos consegue suportar nossa presença.
Tudo poderia ser diferente...
Tivéssemos a coragem de periodicamente nos analisar sobre as relações mantidas e nutridas, submetendo-nos ao rigoroso teste de perguntarmos a nós mesmos se estamos sendo leais aos que marcham pela mesma estrada.
Quantas vezes ouvimos o outro com espírito de acolhimento, sem reservas ou apontamentos desnecessários.
Percebendo alguém em atitude de ataque em nossa direção, em que instante recorremos à prece em favor dessa pessoa, assaltada pelas sombras.
Ouvindo alguém em confidência, se fomos capazes de cerrar o segredo doloroso, suplicando a misericórdia divina para a criatura em desatino à nossa frente.
E quando foi que colocamos algum tipo de freio aos nossos pensamentos impróprios, quando a sós.
Convidado a expressar, pelo verbo, essa ou aquela opinião sobre a conduta de alguém guindado à vida pública, buscamos enxergar alguma virtude ou nobreza mínima, diminuindo a acidez da análise.
Em matéria de viver, seremos sempre senhores do próprio silêncio, mas invariavelmente escravos de tudo quanto proferido pelos lábios.
E como procedia Jesus quando em contato com a massa do povo?
Ouvia, entendendo.
Silenciava, ajudando.
Narrava, esclarecendo.
Curava, despertando o beneficiado para a responsabilidade de ser liberto do mal que o afligia.
Buscava refúgio no deserto, comungando em silêncio com Deus. Volvia aos ajuntamentos humanos e se compadecia da ignorância popular, buscando apontar caminhos alternativos.
Não desconhecia o mal. Exaltava o bem que poderia ser feito.
Tinha profunda compaixão com os hipócritas, mas tolerância zero com a hipocrisia, separando o doente da doença
Sem buscar ferir tua sensibilidade, quando foi o teu último encontro contigo mesmo? Em que época conversaste com teus pensamentos mais íntimos?
Assim que possível, agenda a sala do silêncio, desacelera tua rotina e senta na relva verde de teu jardim de sonhos.
Era uma vez...
Marta (Espírito)
Itiruçu/Ba., 20.09.2026
Médium: Marcel Mariano









