domingo, 16 de agosto de 2026

ESPIRITISMO - Geleiras Colossais

 

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Por onde vagueie nosso olhar, as infinitas bênçãos de Deus estão em toda parte.

Um céu noturno, salpicado de estrelas, quais archotes acesos pelas mãos da misericórdia excelsa, diluindo a escuridão do espaço.

Oceanos vastos, ocultando segredos em seus abismos salgados e refrigerando o planeta com suas águas frias.

Florestas tropicais, transformando o carbono em oxigênio e fecundando a nuvem que faz a chuva abençoada.

Desertos que parecem monstros de esterilidade, mas cujas areias, levadas pelos ventos, carregam nutrientes de um continente para outro, de maneira quase que imperceptível.

Geleiras colossais, onde icebergs gigantes parecem dormir até que se desprendem das paredes geladas, singrando mares e espalhando substâncias que nutrem muitas vidas marinhas.

O espetáculo das cordilheiras majestosas, onde os picos nevados parecem toucas brancas, em velhinhos milenares.

Os rios incontáveis da Terra, rasgando o solo seco desde as nascentes até a foz de um mar, onde se deixam abraçar pela salinidade do seu destino final.

A diversidade das aves canoras, a se espalharem num mundo em múltiplos sons.

A imponência da baleia azul e a delicadeza do colibri, a força do bisão e a suavidade da gazela, o voo sereno da cegonha e a astúcia do corvo, a obstinação do cardume de salmões, subindo o rio onde nasceram para gerarem os filhotes, perdendo a vida logo em seguida.

A formiga incansável no interior da terra e a abelha no afã de alimentar a colmeia.

A paciência do cupim, sustentando a casa escura entre bilhões de outros iguais, e a borboleta monarca, nascendo de uma geleia presa num galho de árvore, buscando o calor do sol para abrir suas asas em voo de beleza incomparável.

Nem sempre os olhos humanos contemplam essas sutilezas. Quase nunca o habitante da selva de pedra enxergou esse espetáculo diário e gratuito.

O som da chuva no telhado ou na copa das árvores vetustas.

No noticiário, a tragédia e o acidente, a insensatez e a violência parecem ter mais audiência nas almas do que o palco da vida, a estuar de beleza e perfeição.

Aprendiz das lições do mundo, permita-se vez por outra silenciar os artefatos tecnológicos, abandonando a tela azul e buscando o celeste do céu, o verde esmeralda do mar e o suave matiz das flores.

Olha a violeta miúda.

Enxerga esse girassol ardendo de amarelo intenso.

Aspira o perfume dessa rosa.

Toca essa grama verde com teus pés descalços. Desliza teus dedos por essa trepadeira inundada de flores lilases.

Sentirás Deus em teu íntimo. Perceberás que és parte da criação divina. Abdicaste da postura de observador e passaste a ser observado.

Recorda Jesus e sua interação com a natureza.

Discípulos convocados na beira de um mar de água doce. Silêncio entre oliveiras no Getsêmani. Oração e conexão com Deus num deserto árido.

Exaltação dos lírios do campo.

Uma parábola construída sobre a semente da mostarda insignificante.

E o semeador que saiu a semear, e Jesus aguardou momento próprio para elucidar que era o divino verbo.

És tu esse segador!

Tens as sementes da vida eterna em tuas mãos. Que fazes, até aqui, desse tesouro confiado pelo alto à tua capacidade de fecundação?

Em tua frente, um solo feraz, aguardando tão somente o gesto de lançar uma semente, uma muda de árvore.

Cuida da tua tarefa ainda hoje. Amanhã, pode ser tarde.

Marta (Espírito)

Itabuna/BA., 16.08.2026


Médium: Marcel Mariano




domingo, 9 de agosto de 2026

Oito décadas depois

 


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As novas gerações terão dificuldade em entender o que se deu há exatos oitenta e um anos.

O clarão que desceu do firmamento e consumiu uma cidade inteira. A rotina de um dia comum, consumida num instante, onde o calor abrasador, produzido pela reação do plutônio, fez criar uma energia devastadora, ceifando milhares de vidas.

Crianças, jovens sonhadores, mulheres operárias, estudantes, idosos pacientes, todos numa mesma clara manhã, aguardando um dia como outro qualquer, mas o artefato nuclear iria mudar os rumos da história.

Hiroxima no dia seis de agosto, Nagasaki no dia nove.

Oito décadas depois...

O turbilhão de conflitos que ninguém vê. As almas em superlativas amarguras, a incerteza do amanhã e as contínuas notícias de guerras que podem arrastar as civilizações a novo caos global.

E nas grandes urbes, sonhos ligeiros, em alguns virando pesadelos. Uma geração buscando, em desespero, fuga das tensões que parecem oprimir sem ofertar trégua. Ansiedade galopante. Depressões devastadoras, religiosos sem rumo e sem alternativa para a massa de ovelhas em aflição.

Templos cheios, almas vazias.

Fartura de recursos em mãos equivocadas. Carência material esmagando milhões.

Lares enormes no tamanho e moradores pigmeus no entendimento, fragilizados em relacionamentos superficiais.

Feiras literárias agitadas, onde muitos buscam livros que contenham receitas fáceis de aquisição da felicidade, como na feitura de um bolo ligeiro.

Dramas nas escolas.

Artérias entupidas nos corpos e nas cidades. Hospitais lotados, chuva ácida e barulho por toda parte.

Onde o planeta verde, as paisagens de refrigério, um oásis que permita o cultivo da alegria e da paz?

Quem estará saudável nesses dias de inquietações crescentes e instabilidade emocional ciclópica?

A infância queimando etapas, adolescentes precocemente adultizados, moços esgotados e a madureza em tensão incessante, qual corda puxada ao extremo. Logo em seguida, a velhice vestida de desencanto e solidão.

Onde está a saída desse turbilhão?

Ó, vós que caminhais no mundo qual veículo sem freios, em descida descontrolada pela ladeira das múltiplas agonias, buscai um lugar à parte para silenciar a mente em erupção.

Escutai a melodia do vento nas folhas da velha árvore da sabedoria. Contemplai essa miríade de astros que cintilam em tua madrugada, quase que inteiramente ignorados.

Dilatai vossos ouvidos na direção da ave que gorjeia feliz nas palhas do coqueiro. Situa teus olhos na página à frente e medita nestes salmos de luz e otimismo. Articula uma oração em teu santuário íntimo e deixa-te arrebatar pela emoção que somente a prece possui.

Agradece sem exigência. Pede sem imposição. Louva sem pieguismo.

E quando teu mundo íntimo asserenar em meio ao desgoverno emocional que grassa, qual fúria de búfalos em correria violenta, sai de ti mesmo e busca ajudar alguém que perdeu o rumo e a direção.

Fala, consolando.

Escuta com interesse.

Orienta, com segurança.

Convence-te que estamos todos na mesma barca terrestre, sob tormenta geral da grande transição, onde Jesus conduz o rebanho de ovelhas aflitas para campos verdejantes, onde a segurança de um será o penhor da segurança coletiva, antecipando a Terra feliz dos dias que estão por chegar.

Até lá, paciência e confiança no Senhor.


O peregrino (Espírito)

Queimadas/Ba., 09.08.2026

81 anos do clarão em Nagasaki


Médium: Marcel Mariano




Feliz dia dos pais

 


Meu pai Mário Bamberg (In Memorium).


*Bom dia!*


♡ Pai, sei que muitas vezes você abriu mão dos seus sonhos para realizar os meus. Agradeço por cada sacrifício, cada esforço e por todo o amor que você me deu. Feliz Dia dos Pais!


♡ Pai, você é meu herói, meu exemplo de força e amor. Sou grato por tudo que você fez e continua fazendo por mim. Feliz Dia dos Pais! Te amo muito!


 *Aos papais que foram morar no céu:*


♡ Pai, mesmo que você não esteja mais aqui fisicamente, seu amor e seus ensinamentos permanecem vivos em meu coração. Sinto sua falta todos os dias e celebro a memória do pai maravilhoso que você foi. 


*Feliz dia dos pais*


sábado, 1 de agosto de 2026

Quem poderá se arrogar detentor da verdade absoluta?

 

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Muito se fala nos tempos modernos de que a sociedade jaz profundamente polarizada. O verbete, bastante utilizado no meio político e religioso, possui a clara indicação de que as criaturas humanas se entrincheiraram em nichos de opinião própria, desprezando a alheia opinião.

Não é de hoje esse movimento próprio do ser, tangido por ventos impetuosos das opiniões rigoristas, onde não se admite a inserção de terceiros. Grupos que disputam a política do mundo fazem dela escudo para se blindarem contra as correntes ideológicas dos adversários. No campo religioso, os cismas têm assinalado a marcha da maior parte das crenças hoje existentes no cenário das nações. Mas existem polarizações no meio esportivo, na intimidade das famílias, entre casais sonhadores e no comércio, onde a disputa por espaços de influência beira o clima de guerra por pontos de venda.

Até onde vai a presunção da criatura humana em considerar que sua visão é mais clara e acertada do que a de seus irmãos de jornada?

Quem poderá se arrogar detentor da verdade absoluta?

Sob o império do tempo, relógio de Deus irrefreável, marcha o Espírito no terreno vagaroso da evolução, ora aprendendo e ora ensinando.

O partilhar de ideias e sonhos é ocorrência natural da convivência, atestado vivo de que pessoa alguma enxerga a vida por nossas retinas ou raciocina por nossos neurônios.

Um mesmo assunto possui muitas abordagens, uma paisagem tem muitas faces e os quadros da vida que nos surgem complexos, difíceis de elucidar ou solucionar, sob apreciação de terceiros pode ser encarado como de fácil solução.

Enquanto a parceria harmoniosa e a convivência fraterna ensejam campos de motivação e estímulo, a polarização gera desconfiança, intoxica o mesmo ar e gera cizânia e ressentimento, abrindo fossos de separatividade e arrogância.

Amizades sólidas se diluem nas águas turvas da mágoa, forças políticas que se opõem conspiram contra os ideais das massas famintas de pão e trabalho e os mais belos quadros da religião, onde deveria medrar o lírio da fraternidade faz-se terreno pantanoso, permitindo o conflito estéril de ideias.

Imperioso vigiar as nascentes do coração, buscando enxergar o lado belo do pensamento alheio. Silenciar para a escuta ativa, aquela que permite ao outro expandir o que pensa e como chegou àquela conclusão.

Em tempos de egos inflamados pela ânsia de notoriedade, a inquietação constante por holofotes e destaque midiático, a polarização se faz terreno minado, carregado de ocultos explosivos morais e existenciais, dinamitando vidas e olhares diferentes do nosso.

Nem Jesus Cristo foi unanimidade. Opositores buscaram distorcer-Lhe as ideias. Fariseus iracundos propuseram perguntas capciosas ao Divino Mestre, tentando criar constrangimento ou surpreendê-Lo em contradição.

Não o conseguiram.

Ele conhecia o ardil das ovelhas doentes, a astúcia dos transitórios mordomos do mundo e sabia das intenções ocultas de seus carrascos.

Silenciou em várias ocasiões por constatar que o interlocutor ainda não estava preparado para entender as balizas de Seu reino.

Nenhuma imposição.

Ausência absoluta de violência ideológica.

Nunca usou do constrangimento público.

Amorosidade no verbo, simplicidade na construção fraseológica, silêncio nos instantes de tensão e dosagem da verdade aos assalariados pelas mentiras convenientes.

Encontrarás quem te hostilize as ideias. Defrontarás com encarniçados inimigos dos teus sonhos. Verás, mais de uma vez, teu jardim pisoteado pelos coturnos dos desequilibrados.

Apoia-te na paciência. Sê resiliente nas horas de tensão. Escora-te na prece, serve e passa sorrindo, mesmo chorando por dentro.

A flor que ficou esmagada pela polarização deitará no chão duro uma ignorada semente, e amanhã ou depois, a natureza se encarregará de fazer brotar novo vegetal do solo das incompreensões humanas.

Vieste ao mundo para amar e servir. Foge da polarização como quem se imuniza de uma doença grave. Eles, já perderam a paz. Quanto a tu, tens o Cristo de teu lado, suplicando misericórdia e serviço numa sociedade que parece ter perdido o rumo e a direção.

Em meio às sombras reinantes, sê tu um pirilampo na noite escura de muitos cegos do raciocínio.

Marta  (Espírito)

Senhor do Bonfim, 01.08.2026


Médium: Marcel Mariano




terça-feira, 14 de julho de 2026

Drogaria Silva

 


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sábado, 11 de julho de 2026

Ante a dor física, fuga para os analgésicos

 



Atravessa-se o tormentoso tempo das agonias diversas. Dores e testemunhos, miséria e opulência chocante, pandemias e enfermidades dilacerantes tecem fios de aranha, onde muitos se veem aprisionados, sem chance de libertação imediata.

E ansiando pela alforria desses males incontáveis, cada ser busca portas por onde fuja ou se evada de sua incidência inclemente.

Ante a dor física, fuga para os analgésicos.

Insegurança social, casas cada vez mais blindadas, muros altos, cercas eletrificadas e monitoramento incessante.

Medo de assalto nos veículos e eis a safra de carros blindados, resguardando no seu interior os ocupantes de sequestros e furto violento.

Contratação de segurança armada para proteção da família e do lar.

E quando as agonias são íntimas, há hoje uma infinita gama de medicamentos para combater a enxaqueca crônica, a fadiga galopante, a câimbra teimosa, repondo ao veículo físico nutrientes perdidos por força da queda no metabolismo natural.

Cidades barulhentas e incontáveis multidões buscando sítios e fazendas, poupando os tímpanos dessa pancadaria incessante.

Quando os olhos só enxergam o cinzento do cimento e o negro asfalto, o coração parece clamar por paisagens verdes, suplicando uma viagem para algum recanto bucólico, onde o gorjeio de pássaros e o sussurro do vento substituam o som estridente de sirenes e alto-falantes.

Apreciadores da boa música se dizem chocados com os novos  ritmos, obtidos a partir de sofisticados instrumentos eletrônicos, contrapondo-se a um acorde suave de um violino ou uma nota azul de um violão plangente.

E o mar revolto das agonias diversas prossegue ceifando vidas e dilacerando a esperança.

Receio do sofrimento se repetir num novo relacionamento afetivo. As almas massacradas pela solidão. Os esmagados pela indiferença social. Os que perderam o contato com a realidade após a sujeição voluntária ao fanatismo desse ou daquele naipe.

Os desesperados por uma colocação no mercado de trabalho, ansiosos por solverem as próprias dívidas.

Pais que receiam o futuro dos filhos, e filhos que temem acolher pais alquebrados no próprio lar, impedindo-lhes de viver a vida como desejariam.

É inegável reconhecer que vivemos e sobrevivemos numa sociedade sufocada por incontáveis demandas do sentimento e das emoções em desgoverno, pelo que seria oportuno reavaliar o estilo de vida que se leva.

Nem sempre possível o afastamento das demandas que nos reclamam a presença. Arrimos de família, quais sentinelas prisioneiras de parentes algemados a camas de dor e enfermidades degenerativas.

Quando saudáveis, quantos sacrifícios fizeram por nós? Mães hoje inválidas, em quantas noites não negaram o próprio cansaço para velarem os filhos que a febre devorava?

Também eles atravessaram as agonias que não podemos, de pronto, aquilatar.

Em meio ao turbilhão de dificuldades e carências, recorda-te de Maria, a mãe de Jesus, devastada por dores diante do filho crucificado. Que fizera Ele para merecer tão dura sentença dos homens?

De braços abertos, acolhendo dois salteadores, abençoava a humanidade doente e inquieta de todos os tempos, suplicando a Deus misericórdia e compaixão para nossas agonias.

Ele as enfrentara com confiança e fé inquebrantável, avançando nos terrenos infecundos da criatura humana, onde depositara uma semente de luz e otimismo, ainda hoje aguardando germinação.

Como tens regado teu vaso íntimo?

Amanhã, a primavera...

Marta (Espírito)

Itabuna, 11.07.2026


Médium: Marcel Mariano