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Impossível reduzir a números quantas almas nobres manuseiam os Evangelhos a cada dia. Incontáveis obreiros da fé cristã possuem, na intimidade do lar, um exemplar da Bíblia, nela buscando, diariamente, lenitivo para as amarguras e aflições da existência.
Para o pastor das ovelhas da casa de Israel, é o manancial dos sermões no púlpito. Para o exegeta, é a fonte profunda e cristalina de pensamentos elevados. Para o historiador, será perene compêndio de análise histórica da raça judaica e dos cristãos primitivos.
Para o povo em geral, refúgio nas horas difíceis, consolo nos instantes de provação e plataforma segura da esperança numa salvação.
Não obstante sua diversificada interpretação, variando de crença para crença, de igreja para igreja, seus ensinos canalizam calmaria nas agonias e coragem nos testemunhos.
Do gênese ao apocalipse, desfilam vidas heroicas, apóstolos da fé, homens e mulheres de confiança inquebrantável no altíssimo e ensinos que desafiam o tempo.
Sua essência jaz no Novo Testamento, onde da gruta de Belém ao calvário, uma vida marcou, de maneira indelével, os fastos da história.
A saga de Jesus de Nazaré.
Seu aparecimento no mundo alterou a história e modificou a maneira de pensar. Seus princípios renovaram a filosofia, iluminaram a religião e descortinaram mais amplos horizontes do conhecimento.
Mulheres e homens, ao toque dessa mensagem, se fizeram mártires e heróis da fé cristã nos seus primórdios.
Afrontaram o império romano e seus deuses de pedra.
Exemplificaram como viver no mundo, sem ser do mundo. Possuir, e não serem possuídos.
Compreender que a experiência física é uma etapa da larga jornada destinada ao ser em burilamento, a caminho da vida maior.
Berço e túmulo são, respectivamente, entrada no mundo material e saída do escafandro carnal, sem que o argonauta da evolução saia da vida.
Descobre-se que somos hoje o resultado das ações de ontem, e que o amanhã está sendo forjado nas atitudes de agora.
Nem castigo ao rico avarento, nem beatitude sem mérito ao pobre de recursos materiais. Riqueza e pobreza são experiências evolutivas, e o mordomo do pouco ou do muito dará sempre conta dos empréstimos recebidos da divindade.
Família não é acontecimento fortuito, onde a hereditariedade dite regras inflexíveis, nem fruto do acaso, situando debaixo do mesmo teto almas tão díspares. A constelação familiar é, antes de tudo, a reunião de antipatias e simpatias, esculpidas ao longo de milênios, no caldeirão das experiências múltiplas.
Aprende o cristão que a oração não é simplesmente um amontoado de frases bem postas, onde os lábios se divorciam do coração. A prece é esvaziamento do ego, onde o ser escuta Deus na intimidade profunda da alma.
E por mais duro que seja conceber, Jesus a ninguém veio salvar de um inferno ilusório, apenas existente na consciência culpada, mas sim ofertar um conjunto de princípios morais para a vivência e a convivência, a fim de que cada um, pelo manejo do livre arbítrio, edifique seu paraíso interior, o céu, que nunca se apresentará por aparências externas.
Rico não é aquele que muito possui. Será sempre aquele que tenha menos necessidades, atravessando o mundo sem grilhões com coisas perecíveis.
Sublime estrada de luz, analgésico de nossas dores morais, alegria na consciência quitada!
Claridade na noite escura, sol de rutilante beleza na travessia do mundo e roteiro para todos os caminheiros da jornada espiritual.
Quando te sintas perdido, desorientado nas escolhas e indeciso quanto ao rumo a seguir, estuga o passo ligeiro, desacelera essa correria que te impuseram e medita num poente de fogo ou num amanhecer suave.
Deixa-te conduzir pela alegria ignorada de saber que conheces a Jesus, permitindo que O Sublime Peregrino das estrelas te reorganize os passos e te aponte rumos novos, abandonando as charnecas sombrias do mundo e te projetando para luminoso porvir.
Se conheces as causas, não temas os efeitos.
Marta e Júlio César Grandi Ribeiro (Espíritos).
Salvador, 05.04.2026
Médium: Marcel Mariano.