Atravessa-se o tormentoso tempo das agonias diversas. Dores e testemunhos, miséria e opulência chocante, pandemias e enfermidades dilacerantes tecem fios de aranha, onde muitos se veem aprisionados, sem chance de libertação imediata.
E ansiando pela alforria desses males incontáveis, cada ser busca portas por onde fuja ou se evada de sua incidência inclemente.
Ante a dor física, fuga para os analgésicos.
Insegurança social, casas cada vez mais blindadas, muros altos, cercas eletrificadas e monitoramento incessante.
Medo de assalto nos veículos e eis a safra de carros blindados, resguardando no seu interior os ocupantes de sequestros e furto violento.
Contratação de segurança armada para proteção da família e do lar.
E quando as agonias são íntimas, há hoje uma infinita gama de medicamentos para combater a enxaqueca crônica, a fadiga galopante, a câimbra teimosa, repondo ao veículo físico nutrientes perdidos por força da queda no metabolismo natural.
Cidades barulhentas e incontáveis multidões buscando sítios e fazendas, poupando os tímpanos dessa pancadaria incessante.
Quando os olhos só enxergam o cinzento do cimento e o negro asfalto, o coração parece clamar por paisagens verdes, suplicando uma viagem para algum recanto bucólico, onde o gorjeio de pássaros e o sussurro do vento substituam o som estridente de sirenes e alto-falantes.
Apreciadores da boa música se dizem chocados com os novos ritmos, obtidos a partir de sofisticados instrumentos eletrônicos, contrapondo-se a um acorde suave de um violino ou uma nota azul de um violão plangente.
E o mar revolto das agonias diversas prossegue ceifando vidas e dilacerando a esperança.
Receio do sofrimento se repetir num novo relacionamento afetivo. As almas massacradas pela solidão. Os esmagados pela indiferença social. Os que perderam o contato com a realidade após a sujeição voluntária ao fanatismo desse ou daquele naipe.
Os desesperados por uma colocação no mercado de trabalho, ansiosos por solverem as próprias dívidas.
Pais que receiam o futuro dos filhos, e filhos que temem acolher pais alquebrados no próprio lar, impedindo-lhes de viver a vida como desejariam.
É inegável reconhecer que vivemos e sobrevivemos numa sociedade sufocada por incontáveis demandas do sentimento e das emoções em desgoverno, pelo que seria oportuno reavaliar o estilo de vida que se leva.
Nem sempre possível o afastamento das demandas que nos reclamam a presença. Arrimos de família, quais sentinelas prisioneiras de parentes algemados a camas de dor e enfermidades degenerativas.
Quando saudáveis, quantos sacrifícios fizeram por nós? Mães hoje inválidas, em quantas noites não negaram o próprio cansaço para velarem os filhos que a febre devorava?
Também eles atravessaram as agonias que não podemos, de pronto, aquilatar.
Em meio ao turbilhão de dificuldades e carências, recorda-te de Maria, a mãe de Jesus, devastada por dores diante do filho crucificado. Que fizera Ele para merecer tão dura sentença dos homens?
De braços abertos, acolhendo dois salteadores, abençoava a humanidade doente e inquieta de todos os tempos, suplicando a Deus misericórdia e compaixão para nossas agonias.
Ele as enfrentara com confiança e fé inquebrantável, avançando nos terrenos infecundos da criatura humana, onde depositara uma semente de luz e otimismo, ainda hoje aguardando germinação.
Como tens regado teu vaso íntimo?
Amanhã, a primavera...
Marta (Espírito)
Itabuna, 11.07.2026
Médium: Marcel Mariano






















































