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Por onde vagueie nosso olhar, as infinitas bênçãos de Deus estão em toda parte.
Um céu noturno, salpicado de estrelas, quais archotes acesos pelas mãos da misericórdia excelsa, diluindo a escuridão do espaço.
Oceanos vastos, ocultando segredos em seus abismos salgados e refrigerando o planeta com suas águas frias.
Florestas tropicais, transformando o carbono em oxigênio e fecundando a nuvem que faz a chuva abençoada.
Desertos que parecem monstros de esterilidade, mas cujas areias, levadas pelos ventos, carregam nutrientes de um continente para outro, de maneira quase que imperceptível.
Geleiras colossais, onde icebergs gigantes parecem dormir até que se desprendem das paredes geladas, singrando mares e espalhando substâncias que nutrem muitas vidas marinhas.
O espetáculo das cordilheiras majestosas, onde os picos nevados parecem toucas brancas, em velhinhos milenares.
Os rios incontáveis da Terra, rasgando o solo seco desde as nascentes até a foz de um mar, onde se deixam abraçar pela salinidade do seu destino final.
A diversidade das aves canoras, a se espalharem num mundo em múltiplos sons.
A imponência da baleia azul e a delicadeza do colibri, a força do bisão e a suavidade da gazela, o voo sereno da cegonha e a astúcia do corvo, a obstinação do cardume de salmões, subindo o rio onde nasceram para gerarem os filhotes, perdendo a vida logo em seguida.
A formiga incansável no interior da terra e a abelha no afã de alimentar a colmeia.
A paciência do cupim, sustentando a casa escura entre bilhões de outros iguais, e a borboleta monarca, nascendo de uma geleia presa num galho de árvore, buscando o calor do sol para abrir suas asas em voo de beleza incomparável.
Nem sempre os olhos humanos contemplam essas sutilezas. Quase nunca o habitante da selva de pedra enxergou esse espetáculo diário e gratuito.
O som da chuva no telhado ou na copa das árvores vetustas.
No noticiário, a tragédia e o acidente, a insensatez e a violência parecem ter mais audiência nas almas do que o palco da vida, a estuar de beleza e perfeição.
Aprendiz das lições do mundo, permita-se vez por outra silenciar os artefatos tecnológicos, abandonando a tela azul e buscando o celeste do céu, o verde esmeralda do mar e o suave matiz das flores.
Olha a violeta miúda.
Enxerga esse girassol ardendo de amarelo intenso.
Aspira o perfume dessa rosa.
Toca essa grama verde com teus pés descalços. Desliza teus dedos por essa trepadeira inundada de flores lilases.
Sentirás Deus em teu íntimo. Perceberás que és parte da criação divina. Abdicaste da postura de observador e passaste a ser observado.
Recorda Jesus e sua interação com a natureza.
Discípulos convocados na beira de um mar de água doce. Silêncio entre oliveiras no Getsêmani. Oração e conexão com Deus num deserto árido.
Exaltação dos lírios do campo.
Uma parábola construída sobre a semente da mostarda insignificante.
E o semeador que saiu a semear, e Jesus aguardou momento próprio para elucidar que era o divino verbo.
És tu esse segador!
Tens as sementes da vida eterna em tuas mãos. Que fazes, até aqui, desse tesouro confiado pelo alto à tua capacidade de fecundação?
Em tua frente, um solo feraz, aguardando tão somente o gesto de lançar uma semente, uma muda de árvore.
Cuida da tua tarefa ainda hoje. Amanhã, pode ser tarde.
Marta (Espírito)
Itabuna/BA., 16.08.2026
Médium: Marcel Mariano












