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Em tempos remotos, devotos e crentes buscaram os santuários afamados em busca de contato com os deuses. Seja em Luxor ou Carnac, no Egito, em Delfos, na Grécia, ou nos bairros miseráveis de Roma, onde feiticeiros e oráculos se faziam intermediários entre as vozes da imortalidade e os anseios humanos, sempre interessou à curiosidade das criaturas humanas a verificação se era possível obter dos invisíveis respostas para as incógnitas da existência.
E entre fraudes e charlatanismo, engodo e verdade, acontecimentos reais e outros manipulados, a crença dos terrestres foi se consolidando na certeza de que o túmulo não é fim da existência e o berço não é o começo da vida. A fecundação oferta portais para ingresso na matéria, sublime educandário da alma, e o túmulo devolve o ser ao país de origem, sem acrescentar um grama de cultura ou retirar uma vírgula das imperfeiçõ⁸es morais.
E o correio fraterno do além túmulo foi se dilatando ao longo do tempo, permitindo investigações mais detalhadas e melhor análise científica da possibilidade de que os supostos mortos possam transpor a diáfana fronteira entre as duas realidades existenciais, rubricando notícias do novo lar para os cativos da massa corpórea.
Filhos escrevendo aos pais, devastados pela saudade dos rebentos.
Esposas regressando do grande além para consolar o viúvo e afagar os filhos que ficaram matriculados na escola do mundo.
Avós trazendo informes sobre a situação no país da luz. Acidentados aclarando dados sobre as tragédias que os arrebatam do corpo, alguns em plena florescência da vida física.
E até crianças, arrancadas da matéria pela violência de enfermidades cruéis, manejaram o lápis de sensitivos e médiuns, enxugando lágrimas dos genitores em desespero.
Não somente o correio fraterno se prestou à consolação das dores superlativas da separação física. Por escritos de natureza paranormal, vultos célebres anteciparam invenções e propuseram pesquisas nos vastos campos da ciência e da tecnologia, incentivando o decifrar da cortina que separa os dois mundos em litígio.
Na essência do cristianismo primitivo, estava inserido o intercâmbio entre vivos e redivivos. Fundando diversas eklesias em em suas incontáveis viagens missionárias, o convertido de Damasco se valeu de suas extraordinárias faculdades psíquicas para incentivar o intercâmbio, bem como travou contato com notáveis médiuns daqueles dias, alguns sob as algemas da obsessão e do vampirismo.
Presentemente, o novo espiritualismo enseja seguro telefônio com a vida espiritual, permitindo analisar o conteúdo de recados e páginas, livros e pinturas de natureza paranormal, constatando que o ser não se dilui na química inorgânica da tumba, prosseguindo além da campa fria dos mausoléus tristes.
Se em tua galeria da saudade alguém reside numa moldura de ausência física, mergulha teus sentimentos na certeza da imortalidade da alma e na possibilidade do intercâmbio por incontáveis meios. Os sonhos, a intuição e os pensamentos são veículos por onde o amor se derrama, balsamizando quem ficou refém da aparente solidão.
Em torno de teus passos, uma nuvem de testemunhas se agita. Em ruas desertas de corpos, multidões de deambulantes espirituais trafega, buscando informações sobre a própria situação. Fóruns estão cheios de requerentes, clamando por uma justiça tardia.
Hospitais segregam incontáveis pacientes que a doença fulminou antes do tratamento.
Ora por eles e aguarda.
Quem te antecedeu, pede paciência. Todos irão um dia para o grande lar.
E quando entre tua saudade e tuas agonias, se condensar uma nuvem de sombras e incertezas, lembra-te de Jesus, que aguardou três dias, ressurgiu da morte aparente e saudou os discípulos em Jerusalém, após os acontecimentos de Emaús, atestando o triunfo da vida sobre a morte:
~ A paz seja convosco!
A vida prossegue.
Marta (Espírito)
Salvador, 21.03.2026
Médium: Marcel Mariano


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