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O martirológio feminino nunca será devidamente compreendido na Terra, enquanto predominar a supremacia do macho alfa. Escrava e serva do homem em incontáveis culturas e civilizações do pretérito, ainda prossegue a mulher em inúmeros lares como simples fazedora de acepipes, geradora de filhos e empregada doméstica.
Desde eras remotas aos tempos presentes, difícil não é localizar páginas e escritos relatando o sofrimento das filhas do calvário.
A mulher da idade antiga, cuja nação era invadida por hordas hostis, impondo sobre os homens o manto da morte e sobre elas a serventia sexual. Filhos reduzidos a hilotas insignificantes, sem o mínimo direito. A mãe negra, arrancada da África e trazida sob correntes pesadas às costas brasileiras para o serviço na senzala e na cozinha da casa grande.
O trabalho na lavoura de cana-de-açúcar, onde muitas se viram mutiladas por facões afiados, buscando no serviço o pão dos filhos na retaguarda.
As que foram obrigadas por parceiros irresponsáveis ao aborto execrando, ceifando ainda na vida uterina o direito à existência.
E ainda nos tempos modernos, persiste em fábricas e pavilhões da indústria têxtil aquelas que as leis trabalhistas esqueceram, por delito de indiferença de patrões insensíveis, escravocratas da modernidade.
Dentro da seara religiosa, o cativeiro não tem sido menor. Desde a época do surgimento do cristianismo na Terra, a mulher teve e ainda tem seus direitos desrespeitados, tratada como se inferior fosse perante a divindade. Só mui recentemente, o corpo eclesiástico de algumas igrejas reformistas aceitou pastoras como condutoras dos rebanhos de crentes.
Em meio a um planeta que estertora em suas estruturas sociais e religiosas, econômicas e políticas, pouco a pouco a legislação vai sendo modificada, conferindo ao ser feminino seus legítimos direitos, conquanto com deveres diferentes.
O sopro da mensagem cristã, particularmente no Ocidente, vem sacudindo bolorentas viciações, arejando o santuário do lar, onde elas já predominam como mantenedoras da família, onde viúvas de maridos vivos e órfãos de pais ainda encarnados buscam a sobrevivência a duras penas.
No entrechoque desse embate entre o feminismo e o machismo ancestral, as heroínas dos tempos novos vão conquistando espaços em conglomerados econômicos, na política de Estado, na magistratura e na medicina, para citar alguns campos, em imperiosa revisão dos papéis que cabem a cada um na regência da família e da sociedade, em acelerada transformação.
Imperioso que homens e mulheres, que são espíritos em experiências evolutivas na argamassa corporal, possam se auxiliar, sem supremacia de um sobre o outro, a fim de que o pêndulo social não se desarticule, arrastando bilhões de seres para novas guerras de arrasamento recíproco. Estruge o conflito armado em campos diversos do cenário internacional, tanto quanto na intimidade das quatro paredes do lar, em soçobro de admiráveis conquistas da família, que ora periclita, adoecida pelas enfermidades de seus membros constituintes.
Que se busque nas fontes sacrossantas do Evangelho a inspiração para a pacificação social, a instalação do primado do Espírito, vencendo o cérbero do materialismo, que ora devora sem pudor as frágeis esperanças desses dias sombrios.
Varões, atentai aos vossos deveres de guardiões da família, sustentando a ética e sobriedade no ambiente familiar. Às varoas, não tão somente a maternidade e sua beleza indescritível, mas a parceria com o companheiro de pelejas e embates existenciais, evitando os vícios e as torpezas que assinalam esses séculos de impiedade e luxúria.
O Cristo de Deus permanecerá sempre como modelo e guia, apontando a homens e mulheres o rumo da felicidade sem jaça e a imortalidade sem véus teológicos.
Só o amor legítimo haverá de redimir o mundo.
Marta e Leon Denis. (Espíritos)
Salvador, 10.05.2026

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