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O ser dos tempos contemporâneos marcha aureolado de bênçãos tecnológicas, a otimizar o pensamento e a gestão da vida material.
Explodiu o átomo, liberando uma energia incontrolável. Desceu aos abismos dos mares e descortinou novas espécies marinhas. Analisou florestas e ecossistemas verdes, localizando vegetais desconhecidos da botânica e com eles, elaborou novos medicamentos.
Nos últimos sessenta anos, tem investido somas fabulosas na exploração espacial, ansioso por aprofundar o conhecimento sobre galáxias e nebulosas, buracos negros e ondas de rádio de origem desconhecida.
O cérebro engalana-se, atingindo patamares de conhecimento jamais experimentados. A rede mundial de computadores e a inteligência artificial projetam cenários e utilidades cotidianas inimagináveis.
Os neurônios parecem passageiros a bordo de uma nave, viajando à velocidade da luz, acumulando em terabytes expansíveis informações inimagináveis.
Entretanto, um olhar mais apurado também notará a discrepância dessas vertiginosas conquistas do cérebro para o sentimento. São dias de fundas agonias, lancinantes dores emocionais, multidões assaltadas pela solidão e seres trucidados pelo vazio existencial.
Multiplicam-se os esforços para auxiliar muitos a se erguerem das quedas morais, mas não se consegue o alevantamento de todos. Religiosos jazem confusos, atrelando a religião ao materialismo crasso desses dias de inquietação incessante. O medo da morte e o desconhecimento quase que completo da vida futura e da imortalidade da alma apavoram milhões, que se veem projetados no limite do precipício que delimita a fronteira diáfana entre o carro físico em desgoverno e a alma em desespero.
Como auxiliar a manada de búfalos em correria tresloucada? Como esclarecer quem se encastelou na fortaleza das ciências materialistas?
De que forma arrancar milhões de ovelhas, guiadas por astutos pastores, sedentos de ouro e cédulas verdes?
Como esclarecer que todo poder emana de Deus e que cada servidor dará conta da própria administração perante o governo do universo?
Discursos são ignorados, pregações são desprezadas e livros esclarecedores são abandonados, quais ferramentas imprestáveis no caminhar dos peregrinos desavisados.
Paciência. Confiança no alto. Foco nas próprias tarefas.
Que cada servidor prossiga incansável na tarefa de formiguinha que o alto lhe confiou. Trabalhe a si mesmo e, quando possível, oriente algum perdido da estrada.
Semeie em solo difícil, mesmo sabendo da improvável colheita.
E prossiga, otimista e confiante, recordando sempre que necessite refazer forças...
Ele surgiu num período difícil e amargo, como estes dias que estamos atravessando. Esteve aparentemente inativo por dezoito anos, se preparando para enfrentar a selva humana dos interesses rasteiros.
Consciente de que precisava de colaboradores, buscou doze amigos numa vila de pescadores. E saiu a anunciar o novo tempo.
Abençoou a semente minúscula, enalteceu a dracma perdida, dialogou com os esquecidos e párias sociais. Se fez hóspede de indesejáveis e detestados. Reconduziu a mulher à sua dignidade ultrajada pelo machismo reinante e acolheu os meninos, exaltando-lhes a pureza das intenções.
Deu-se em holocausto. Sucumbiu fisicamente entre meliantes do mundo.
Prossegue o Senhor como governador do planeta em convulsões ciclópicas, agitação das massas e taquicardia dos sentimentos.
Não pede aos novos discípulos sacrifícios. Suplica misericórdia em favor dos aflitos e despossuídos de tudo, menos das bênçãos de Deus.
Sê tu carta viva dessa Boa Nova! Avança no terreno árido das paixões e edifica em ti mesmo a Jerusalém renovada que o tempo presente reclama.
És tu os braços, as mãos e os pés que o Cristo necessita para amorizar esses dias desafiadores que estamos todos a atravessar.
Após a noite densa, a aurora.
Depois da tempestade, a calmaria dos elementos em fúria.
Da escassez à abundância.
E Ele prossegue semeando...
O peregrino. (Espírito)
Senhor do Bonfim, 03.10.2026
Médium: Marcel Mariano


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