sábado, 14 de fevereiro de 2026

Cronos - O Senhor do tempo

 

Imagem ilustrativa


Na antiga mitologia grega, Cronos, um dos titãs, se fez adorar como o senhor do tempo, tendo nas mãos uma foice, símbolo do seu poder e grandeza.

A tudo controlava. 

Cada ser vivo estava por ele assinalado. Havia tempo para nascer, crescer, amadurecer, envelhecer e sucumbir ao guante de sua adaga implacável. 

Há árvores milenares em algumas florestas da África, de Papua Nova Guiné e da Amazônia, mas estão fadadas a algum dia desaparecerem em colossais incêndios naturais ou tombarem sob a lâmina afiada de algum machado. 

Pedras basálticas ou de origem vulcânica deram mostras de possuírem milhões de anos, mas Cronos um dia as reduzirá a pó.

Estrelas que explodiram há milhões de anos ainda exibem seu clarão no universo, viajando na velocidade da luz em direção ao espaço profundo.

E no planeta azul, onde bilhões de seres se agitam na faina dos compromissos redentores e nas labutas dolorosas da própria sublimação, o relógio de pulso ou o pêndulo na parede sinalizam que o tempo nunca se detém.

É ele um eterno perpétuo presente. Foram as criaturas humanas que o delimitaram em três momentos distintos. 

Ontem. 

Infância risonha, adolescência sonhadora, mocidade agitada, madureza em expectativa e ancianidade galopante.

Hoje.

O compromisso aguardando realização. 

O trabalho não realizado.

A ansiedade de quem aguarda quem não vai chegar.

O mal súbito, arrebatando um afeto diante de nossos olhos cheios de lágrimas e mãos impotentes.

A oportunidade perdida.

O laço afetivo desfeito num semblante sem expressão.

O amanhã. 

Sonhos, possibilidades, projetos, expectativas. 

Quem sabe a viagem ansiada, o roteiro pelo país exótico, a alegre excursão entre amigos de infância, o abraço saudoso no saguão do aeroporto lotado.

Para o cristão decidido, cuja mensagem do Cristo foi maturada e bem compreendida, o tempo deixa de ser regido por Cronos e passa ao controle da consciência lúcida. 

A qualquer circunstância favorável, um minuto que seja e uma semente é depositada na terra fecunda. 

Uma palavra bem posta ao viajante perdido. Uma página vazada em considerações otimistas. Um bilhete ofertando auxílio sem qualquer intenção de recompensa. Um esclarecimento salvador. Uma receita que restaure a saúde abalada de alguém em aflição. 

Nenhum grilhão com o pretérito. Compreende que já atravessou desertos, montanhas difíceis e vales inóspitos, mas se tem em si as lembranças, não as torna verdugos íntimos, chicoteando a consciência e maltratando os sentimentos.

Aguarda o futuro como quem espera uma primavera florida, onde os campos vazios se farão messe farta de rosas e aloendros ricos de beleza. Não se ilude quanto ao tempo da floração, frutescência e colheita.

Tens consciência que pode, se o desejar, semear livremente, mas as demais etapas até o fruto pertencem a Deus, Senhor do tempo e do universo.

Tropeçando, não se fixa no chão duro onde escorregou, mas busca se erguer e prosseguir caminhada afora.

Sabe-se um visitante passageiro do condomínio Terra, ocupando algum apartamento cedido pelo Excelso Síndico, a quem prestará contas de sua administração.

Finda a jornada, longa ou curta, conforme os ponteiros do relógio, aguarda com serenidade e confiança o comboio da morte física como quem fecha um ciclo, a despertar em breve em outra pátria, onde prosseguirá vivendo e amando, servindo e passando.

Eis teu tempo pela ampulheta do Cristo, o Divino fiador de tua jornada pelos rincões terrestres.

Tens aproveitado essa excelsa concessão? 

Marta (Espírito)

Juazeiro, 01.01.2026


Médium: Marcel Mariano




Nenhum comentário:

Postar um comentário