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De tempo em tempos, surgem nas conversas terrestres a possibilidade de destruição do planeta, morada de oito bilhões de pessoas, sob o pretexto de que Deus se cansou da maldade humana e perdeu, para com todos, a paciência divina.
Exaltam-se os textos bíblicos, onde um dilúvio colossal, em tempos remotos, mergulhou o planeta num aquário sideral, extinguindo as vidas que não sobreviveria no meio aquoso. Mas algumas existências humanas foram poupadas numa gigantesca embarcação, permitindo que uma geração povoasse o solo terrestre após a hecatombe. Entretanto, reincidimos nos mesmos erros e equívocos daqueles dias transatos e talvez, agora, o Senhor opte por um incêndio planetário, quem sabe o choque de um meteoro ou asteroide gigantesco contra a superfície dos mares ou dos continentes, levantando uma nuvem de poeira e gases que escurecesse a casa planetária por incontáveis séculos, a todos ceifando numa nova era glacial.
Dois mil anos de cristianismo e o terrível vaticínio foi previsto por supostos profetas e arautos em diversos momentos, sem que o Armagedom se desse como descrito.
De cento e vinte e seis anos para cá, a humanidade fez um salto impressionante na sua forma de auscultar as entranhas do globo e examinar os abismos oceânicos.
Desceu às fossas das Marianas no pacífico, suportando a pressão colossal das águas salgadas, localizando vidas a quase doze quilômetros de profundidade. Cavou poços no ártico e na Antártica, coletando amostras de gelo pré-histórico, examinando micro-organismos primitivos em estado de hibernação profunda. Esquadrinhou os continentes e aperfeiçoou sistemas de prevenção no campo dos tsunamis e dos terremotos, preservando incontáveis vidas humanas.
Desenvolveu vacinas que erradicaram enfermidades cruéis. Saneou regiões insalubres, fertilizou desertos e recuperou charcos imprestáveis, convertendo pântanos em terras aráveis.
Inquieto no raciocínio e atiçado pela curiosidade, desde a segunda metade do século passado, buscou investigar a última fronteira. De modestos satélites, hoje envia ao espaço cosmonautas em equipes, fotografando e filmando galáxias que estão a trilhões de anos-luz da Terra.
Nada disso tem impedido que o orbe periodicamente se veja sacudido por tremores de suas placas tectônicas, tenha espirros em seus vulcões ativos e chore por suas nuvens carregadas, produzindo inundações devastadoras.
Verões tórridos.
Invernos congelantes.
Pragas nas lavouras.
Poluição de toda espécie.
Mas nas salas de aula de universidades e academias, o saber não para. Bibliotecas entulhadas de conhecimento ancestral. Internet a mil. Inteligência artificial desafiando regras e fronteiras.
O robô tomando o lugar de milhares de operários. Comunicações em tempo real.
Entretanto, se o cérebro se ufana dessa extraordinária saga, em toda parte o grito dos excluídos, o choro dos órfãos e das viúvas, o gemido abafado dos doentes e desespero dos mutilados emocionais.
Fartura de coisas e escassez de sentimentos. Muita comunicação e o cordão dos solitários nunca foi tão grande.
Na mesma casa, depressivos e eufóricos, ansiosos e temperados das emoções.
Crentes e descrentes dividindo o mesmo coletivo ou metrô.
Flores e espinhos na mesma haste.
Em muitos lares, mesa cheia e armários lotados de gêneros alimentícios. Na vizinhança, fome nos estômagos e prateleiras vazias.
Carrões e carroças na mesma estrada.
E tudo isso numa sociedade que cultiva valores religiosos há milênios, mas priorizou os neurônios, olvidando o coração.
Sim, muita falta faz Jesus no sentimento da criatura. Crido e admirado, pregado e comentado, Ele permanece a figura histórica mais biografada e discutida da história universal, nos faltando tão somente a vivência de Sua mensagem no cotidiano, nas relações interpessoais e no entendimento.
Sossegue. Acalme-se.
A morada de homens e mulheres não será destruída por um cataclisma sideral, fruto da ira divina, que só subsiste nas mentes exaltadas. Já estivemos em muitos corpos e voltaremos a ocupar outros tantos uniformes de carne, até que aprendamos que sem amor, simplesmente existimos.
Preciso é viver, e viver em abundância. Sem o Cristo, isso é impossível.
Tens pensado nisso?
Marta (Espírito)
Salvador, 19.04.2026
Médium: Marcel Mariano


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