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As novas gerações terão dificuldade em entender o que se deu há exatos oitenta e um anos.
O clarão que desceu do firmamento e consumiu uma cidade inteira. A rotina de um dia comum, consumida num instante, onde o calor abrasador, produzido pela reação do plutônio, fez criar uma energia devastadora, ceifando milhares de vidas.
Crianças, jovens sonhadores, mulheres operárias, estudantes, idosos pacientes, todos numa mesma clara manhã, aguardando um dia como outro qualquer, mas o artefato nuclear iria mudar os rumos da história.
Hiroxima no dia seis de agosto, Nagasaki no dia nove.
Oito décadas depois...
O turbilhão de conflitos que ninguém vê. As almas em superlativas amarguras, a incerteza do amanhã e as contínuas notícias de guerras que podem arrastar as civilizações a novo caos global.
E nas grandes urbes, sonhos ligeiros, em alguns virando pesadelos. Uma geração buscando, em desespero, fuga das tensões que parecem oprimir sem ofertar trégua. Ansiedade galopante. Depressões devastadoras, religiosos sem rumo e sem alternativa para a massa de ovelhas em aflição.
Templos cheios, almas vazias.
Fartura de recursos em mãos equivocadas. Carência material esmagando milhões.
Lares enormes no tamanho e moradores pigmeus no entendimento, fragilizados em relacionamentos superficiais.
Feiras literárias agitadas, onde muitos buscam livros que contenham receitas fáceis de aquisição da felicidade, como na feitura de um bolo ligeiro.
Dramas nas escolas.
Artérias entupidas nos corpos e nas cidades. Hospitais lotados, chuva ácida e barulho por toda parte.
Onde o planeta verde, as paisagens de refrigério, um oásis que permita o cultivo da alegria e da paz?
Quem estará saudável nesses dias de inquietações crescentes e instabilidade emocional ciclópica?
A infância queimando etapas, adolescentes precocemente adultizados, moços esgotados e a madureza em tensão incessante, qual corda puxada ao extremo. Logo em seguida, a velhice vestida de desencanto e solidão.
Onde está a saída desse turbilhão?
Ó, vós que caminhais no mundo qual veículo sem freios, em descida descontrolada pela ladeira das múltiplas agonias, buscai um lugar à parte para silenciar a mente em erupção.
Escutai a melodia do vento nas folhas da velha árvore da sabedoria. Contemplai essa miríade de astros que cintilam em tua madrugada, quase que inteiramente ignorados.
Dilatai vossos ouvidos na direção da ave que gorjeia feliz nas palhas do coqueiro. Situa teus olhos na página à frente e medita nestes salmos de luz e otimismo. Articula uma oração em teu santuário íntimo e deixa-te arrebatar pela emoção que somente a prece possui.
Agradece sem exigência. Pede sem imposição. Louva sem pieguismo.
E quando teu mundo íntimo asserenar em meio ao desgoverno emocional que grassa, qual fúria de búfalos em correria violenta, sai de ti mesmo e busca ajudar alguém que perdeu o rumo e a direção.
Fala, consolando.
Escuta com interesse.
Orienta, com segurança.
Convence-te que estamos todos na mesma barca terrestre, sob tormenta geral da grande transição, onde Jesus conduz o rebanho de ovelhas aflitas para campos verdejantes, onde a segurança de um será o penhor da segurança coletiva, antecipando a Terra feliz dos dias que estão por chegar.
Até lá, paciência e confiança no Senhor.
O peregrino (Espírito)
Queimadas/Ba., 09.08.2026
81 anos do clarão em Nagasaki
Médium: Marcel Mariano


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