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Muito se fala nos tempos modernos de que a sociedade jaz profundamente polarizada. O verbete, bastante utilizado no meio político e religioso, possui a clara indicação de que as criaturas humanas se entrincheiraram em nichos de opinião própria, desprezando a alheia opinião.
Não é de hoje esse movimento próprio do ser, tangido por ventos impetuosos das opiniões rigoristas, onde não se admite a inserção de terceiros. Grupos que disputam a política do mundo fazem dela escudo para se blindarem contra as correntes ideológicas dos adversários. No campo religioso, os cismas têm assinalado a marcha da maior parte das crenças hoje existentes no cenário das nações. Mas existem polarizações no meio esportivo, na intimidade das famílias, entre casais sonhadores e no comércio, onde a disputa por espaços de influência beira o clima de guerra por pontos de venda.
Até onde vai a presunção da criatura humana em considerar que sua visão é mais clara e acertada do que a de seus irmãos de jornada?
Quem poderá se arrogar detentor da verdade absoluta?
Sob o império do tempo, relógio de Deus irrefreável, marcha o Espírito no terreno vagaroso da evolução, ora aprendendo e ora ensinando.
O partilhar de ideias e sonhos é ocorrência natural da convivência, atestado vivo de que pessoa alguma enxerga a vida por nossas retinas ou raciocina por nossos neurônios.
Um mesmo assunto possui muitas abordagens, uma paisagem tem muitas faces e os quadros da vida que nos surgem complexos, difíceis de elucidar ou solucionar, sob apreciação de terceiros pode ser encarado como de fácil solução.
Enquanto a parceria harmoniosa e a convivência fraterna ensejam campos de motivação e estímulo, a polarização gera desconfiança, intoxica o mesmo ar e gera cizânia e ressentimento, abrindo fossos de separatividade e arrogância.
Amizades sólidas se diluem nas águas turvas da mágoa, forças políticas que se opõem conspiram contra os ideais das massas famintas de pão e trabalho e os mais belos quadros da religião, onde deveria medrar o lírio da fraternidade faz-se terreno pantanoso, permitindo o conflito estéril de ideias.
Imperioso vigiar as nascentes do coração, buscando enxergar o lado belo do pensamento alheio. Silenciar para a escuta ativa, aquela que permite ao outro expandir o que pensa e como chegou àquela conclusão.
Em tempos de egos inflamados pela ânsia de notoriedade, a inquietação constante por holofotes e destaque midiático, a polarização se faz terreno minado, carregado de ocultos explosivos morais e existenciais, dinamitando vidas e olhares diferentes do nosso.
Nem Jesus Cristo foi unanimidade. Opositores buscaram distorcer-Lhe as ideias. Fariseus iracundos propuseram perguntas capciosas ao Divino Mestre, tentando criar constrangimento ou surpreendê-Lo em contradição.
Não o conseguiram.
Ele conhecia o ardil das ovelhas doentes, a astúcia dos transitórios mordomos do mundo e sabia das intenções ocultas de seus carrascos.
Silenciou em várias ocasiões por constatar que o interlocutor ainda não estava preparado para entender as balizas de Seu reino.
Nenhuma imposição.
Ausência absoluta de violência ideológica.
Nunca usou do constrangimento público.
Amorosidade no verbo, simplicidade na construção fraseológica, silêncio nos instantes de tensão e dosagem da verdade aos assalariados pelas mentiras convenientes.
Encontrarás quem te hostilize as ideias. Defrontarás com encarniçados inimigos dos teus sonhos. Verás, mais de uma vez, teu jardim pisoteado pelos coturnos dos desequilibrados.
Apoia-te na paciência. Sê resiliente nas horas de tensão. Escora-te na prece, serve e passa sorrindo, mesmo chorando por dentro.
A flor que ficou esmagada pela polarização deitará no chão duro uma ignorada semente, e amanhã ou depois, a natureza se encarregará de fazer brotar novo vegetal do solo das incompreensões humanas.
Vieste ao mundo para amar e servir. Foge da polarização como quem se imuniza de uma doença grave. Eles, já perderam a paz. Quanto a tu, tens o Cristo de teu lado, suplicando misericórdia e serviço numa sociedade que parece ter perdido o rumo e a direção.
Em meio às sombras reinantes, sê tu um pirilampo na noite escura de muitos cegos do raciocínio.
Marta (Espírito)
Senhor do Bonfim, 01.08.2026
Médium: Marcel Mariano


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