segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Monumentos dedicados à justiça.

 


Imagem ilustrativa


Em todas as épocas da civilização humana, surgiram no mundo monumentos dedicados à justiça, onde o erro era apreciado por julgadores designados pela comunidade ou escolhidos pela tradição. O objetivo sempre foi o mesmo, conquanto as regras variassem de povo a povo: manter a ordem, assegurar a paz social e punir o mal.

O longo processo antropossociopsicológico ensejou alteração nessas estruturas, e o aparelhamento do Estado, da taba aos tempos modernos, fez com que as cortes de justiça substituissem as assembléias populares de julgamento sumário.

Surge, lentamente, o corpo do direito civil e as legislações penais, se edificando presídios e penitenciárias para cumprimento das penas estabelecidas. Mas nosso olhar deve se fixar na capacidade julgadora, inata na criatura humana.

Pais sempre julgaram seus filhos.

Generais sinalizam o comportamento da tropa, e quando há desvio, a corte marcial exerce o julgamento no âmbito das casernas.

Órgãos públicos fiscalizam a iniciativa privada e estabelecem regras para o comércio, bens e serviços diversos.

No terreno delicado da religião, quase sempre o sacerdócio organizado fixou em Deus o julgamento dos filhos nas trilhas da evolução, padronizando em incontáveis culturas um paraíso para os bons e um degredo infernal para os maus. As atitudes e os pensamentos formam a base do julgamento divino. O clero, em muitos lugares, faz o papel de instâncias menores, já sinalizando, por excomunhões e afastamento da comunidade o julgamento das ovelhas em queda moral.

Restou um problema de natureza insolúvel para os padrões da humana justiça. Se esta se debruça sobre o fato, como aferir a intenção, estado íntimo e subjetivo inabordável?

Só Deus possui suficiente poder para absolver ou condenar o ser que tresvariou num instante de loucura ou de passionalidade. E a Divindade, cujos princípios residem nos alicerces do amor e da misericórdia, jamais exilaria um filho da criação divina para as geenas infernais.

A religião buscou adaptação do seu inferno nos tártaros da ancestral mitologia. Fez Deus cópia de Zeus ou de Júpiter, conforme a cultura grega ou romana.

Não possuindo as paixões típicas da criatura humana, a Divindade, cujas leis imutáveis e perenes estão ínsitas na consciência do ser espiritual, programou o Espírito imortal para a felicidade e a integração no sagrado, aproveitando erros como aquisição de experiência, acertos como degraus de ascensão e lutas evolutivas como buril de lapidação do diamante bruto, até que ele resplandeça ao sol do amor de Deus.

Muito oportuno que o cristão se abstenha de julgamentos precipitados, evitando sentenciar ocorrências onde desconhece suas causas. 

Cada alma é uma incógnita para outra alma. As soberanas leis nunca condenam ou absolvem. Os excelsos códigos sinalizam a prática do bem para que o ser desfrute de paz e harmonia interior, evitando o remorso, tardio despertamento das ações equivocadas.

Não praticar em relação a outrem aquilo que não deseja para si. E quando lesado, enxergar no ofensor alguém que perdeu o equilíbrio, abriu mão do bom senso e para si mesmo traça uma nova jornada, onde terá que retificar os atos contrários ao bem, mais tarde voltando à estrada da harmonia abandonada por viciação ou rebeldia.

Nenhuma ovelha confiada por Deus a Jesus, no orbe terrestre, está deserdada ou navega sem um GPS moral.

Em toda parte a escola que clareia o raciocínio obtuso, o livro que liberta da ignorância e a presença de mestres e lentes honrados, ensinando e aprendendo como crescer para a luz, enfrentando os desafios da evolução.

Sê tu aquele que não julga, auxiliando quem caiu ou tombou a levantar-se, pondo-se outra vez em marcha para sua própria plenitude.


O peregrino.

Juazeiro/Ba., 11.10.2026


Médium: Marcel Mariano




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