sexta-feira, 24 de abril de 2026

Uti neonatal

 

 imagem ilustrativa


*Nas mãos de Deus*

Há momentos em que nossas mãos parecem pequenas demais. Tentamos segurar tudo ao mesmo tempo: problemas, decisões, medos, responsabilidades. Apertamos forte, como se o controle fosse a solução.

Porém, descobrimos que nem tudo pode caber em nossas mãos. Há limites que não são fraquezas, são aprendizados. Há dores que não conseguimos resolver. Situações que fogem do nosso alcance. Perguntas que não encontram resposta imediata.

É nesse instante que aprendemos uma lição essencial: aquilo que não cabe em nós deve ser colocado nas mãos de Deus.

Conta-se que uma enfermeira que trabalhava em uma UTI neonatal, cuidava de bebês extremamente frágeis. Sabia exatamente o que fazer tecnicamente. Dominava os protocolos, conhecia os equipamentos. Ainda assim, havia dias em que nada parecia suficiente.

Certa noite, um recém-nascido não respondeu aos tratamentos esperados. A equipe fez tudo o que estava ao alcance.

Ao final do plantão, exausta e frustrada, a enfermeira percebeu que suas mãos tremiam. Não de medo, mas de cansaço emocional.

Antes de sair, voltou ao leito, ajustou o cobertor, tocou delicadamente o bebê e, em silêncio, fez algo diferente do habitual.

Não pediu resultados. Não pediu controle. Apenas depositou nas mãos de Deus o que não cabia em suas mãos.

Asserenou a própria alma. Entregou aquele pequeno ser a quem decidira por tê-lo como seu filho, na Terra.

Determinar-lhe o rumo da existência competia a Ele, somente a Ele.

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Nas mãos de Deus cabem nossas dores. Mesmo aquelas que não sabemos explicar. Cabem as lágrimas silenciosas, as noites difíceis, as feridas que teimam em não cicatrizar.

Cabem nossas esperanças, os sonhos interrompidos, os planos que não saíram como desejávamos, os caminhos que precisaram ser mudados.

Deus não despreza nossos projetos, mas sabe quando é preciso ajustá-los ao que realmente nos fará crescer.

Nas suas mãos cabem todas as nossas escolhas. As acertadas e as equivocadas. Quando entregues com humildade, até os erros se transformam em aprendizado. Deus não nos condena pelo tropeço. Ele nos convida ao recomeço.

Cabem, sobretudo, os silêncios. Aqueles momentos em que oramos e não ouvimos resposta. O silêncio de Deus não é abandono. É trabalho invisível. É cuidado que acontece sem anúncio, preparando o que ainda não conseguimos ver.

Confiar nas mãos de Deus não é cruzar os braços. É fazer o que nos cabe e entregar o que ultrapassa nossas forças. É compreender que nem sempre teremos explicações, mas sempre teremos amparo.

A fé não elimina os desafios, mas muda a forma como caminhamos entre eles.

Quando colocamos nossas dores nas mãos de Deus, elas não desaparecem, mas encontram direção. Quando entregamos o futuro, ele deixa de ser ameaça e passa a ser caminho. Nada se perde nesse processo.

Por isso, diante do que não compreendemos, diante do que não conseguimos mudar, saibamos dizer, com fé e serenidade, a frase que nos foi ofertada pelo Mestre de Nazaré: Pai, seja feita a vossa vontade assim na Terra como nos céus.

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Redação do Momento Espírita

Em 24.4.2026

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