domingo, 14 de junho de 2026

Ele veio para que tivéssemos vida, e vida em abundância.

 


Imagem ilustrativa


Diante da sombra da morte, falecem todos os argumentos do materialismo predominante e do negacionismo cultivado na estufa da indiferença.

Pais que sepultam os filhos jovens, que a enfermidade cruel arrancou da convivência fraterna do lar, ou aqueles que as tragédias cotidianas costumam silenciar na cripta fria dos cemitérios deixam fendas de saudades e desolação, difíceis de fechar.

Mesmo quando uma crença é abraçada, esta parece ser impotente para devolver um grama de esperança aos corações enlutados.

Desde tempos imemoriais, a ignorância popular e a superstição vestiram a ceifadora com trajes escuros, aspecto cadavérico, infundindo medo e horror nos sobreviventes corporais, a derramarem rios de lágrimas sobre os despojos hirtos dos afetos subtraídos do convívio amoroso.

Mesmo o cântico de esperança lançado na Judéia e na Palestina de outrora não conseguiu, de todo, banir dos espaços mentais e emocionais das criaturas humanas o ferimento profundo causado pelas ocorrências trágicas, previstas ou não.

Túmulos faustosos, tributo da empáfia e da vaidade, foram erguidos a sátrapas e monarcas, alguns, anões morais.

Covas rasas a guerreiros e combatentes, como a esquecê-los rapidamente nos escaninhos da memória.

Flores e árvores vetustas em necrópoles silenciosas, permitindo que o sopro do vento frio levasse para longe o choro das viúvas e dos órfãos.

A filosofia perdida nos questionamentos sobre a existência e suas incógnitas, sem penetrar o buril da análise lúcida sobre a transcendência. Os cultos faustosos, onde os altares de pedraria rara os sermões teológicos atingiam o raciocínio, sem acalmar o coração.

Em milênios consecutivos vivemos a incerteza da continuidade da vida após a anóxia cerebral, acalentando débil esperança de um céu sem méritos ou um hades de condenação perpétua, como se a Divindade estivesse isenta de apreciar os destinos interrompidos pela morte.

Eis que dos escombros de um cristianismo desfigurado pelo dedo viciado de exegetas e teólogos, sacerdotes descompromissados com a verdade surgiu um brado de despertamento.

Os próprios defuntos, sombras invisíveis ao olhar humano, ressurgem nas noites de Paris, movimentando móveis rústicos e produzindo ruídos insólitos, acordando os néscios e chamando a atenção dos curiosos.

Vêm proclamar o triunfo da imortalidade. Atestar a continuidade da vida após o decesso cadavérico.

Fornecer informes sobre a situação de tantos esquecidos.

A vida esplende além das cartilagens cansadas e da bomba cardíaca parada.

A alma percorre os espaços em busca de sua origem e de sua destinação. Tem ânsia de saber e conhecer de onde veio e para onde vai.

Confabula e estuda, permutando novos entendimentos. Visita os afetos e lastima a indiferença destes para com a vida futura, vassalos apenas de sensações passageiras e fúteis.

Evocando o Sublime Amigo das criaturas humanas, resgatam páginas da Boa Nova e a explicam com detalhados pormenores, esclarecendo seu sentido além das letras que confundem.

É Jesus ressurgindo ao terceiro dia. Confabulando com o colegiado apostólico em Emaús. Conclamando os quinhentos para que semeassem as verdades evangélicas. Surge, aureolado de claridades divinais, ao moço tarsense, confundindo-o, fazendo com que abandonasse o fanatismo para se renovar no silêncio do deserto.

E em pleno alvorecer, eleva-se aos céus, diante da massa de povo, deixando a certeza inquestionável da imortalidade da alma e seu triunfo sobre a argamassa cansada dos ossos velhos.

Ó, vós que deambulais ainda no estojo de carne e sangue, meditai enquanto é tempo sobre vossa passagem ligeira no uniforme orgânico! Buscai esclarecer-vos sobre a inadiável viagem que se avizinha. Entesourai valores íntimos, inacessíveis às traças mundanas e invioláveis pelos ladrões de atalaia.

Erguei vossa igreja íntima pelo culto da retidão moral e pela disciplina das sensações. Ide substituindo a crença pelo saber, a fé cega pela fé lúcida, raciocinada. E quando soarem os clarins de chamamento de vosso regresso aos páramos do infinito, tereis muitos em copioso pranto junto às vestes rotas, mas somente vós estareis em riso de alegria e esperança, qual servo fiel, que recolheu a ferramenta gasta no bom labor, viajando tranquilo para a inadiável prestação de contas entre o assalariado e o Senhor.

Para os que ficam, luto e tristeza. Para vós, renascimento e esperança, antevendo a continuidade dos labores morais, ligeiramente interrompidos pelo sono breve.

Ele veio para que tivéssemos vida, e vida em abundância.

Marta e Leon Denis (Espíritos)

São Salvador, Bahia, 14.06.2026


Médium: Marcel Mariano




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