domingo, 18 de outubro de 2026

Meus discípulos serão reconhecidos no mundo por muito amarem!

 


Imagem ilustrativa.


Em muitas circunstâncias do caminho, o servidor fiel, em pausa para refazer o cansaço, olha em torno e se dá conta da gigantesca tarefa abraçada, mas igualmente constata estar sozinho.

Amigos desertaram, buscando outros campos de ação, mais condizentes com seus anseios pessoais. Irmãos de ideal foram tecendo desculpas, uma atrás da outra, construindo evasivas para não acumularem novas atividades e o servidor dedicado acabou por laborar solitário.

Familiares desdenharam a escolha realizada, ofertando desconfiança e indiferença.

E a seara diante dos olhos é vasta, complexa, prenhe de serviço. O cordão dos aflitos nunca parou de crescer, a multidão dos desassistidos avoluma-se diariamente, a procissão dos desesperados se agiganta hora a hora, criando desânimo em alguns e medo em outros.

O que fazer diante da obra, ainda mais que está assinalada pela não remuneração que alguns aguardavam.

Onde conseguir recursos para diminuir a fome, que castiga os estômagos? Como fechar tantas feridas, incluindo aquelas de natureza emocional, psíquica e afetiva?

Sim, o cenário parece traduzir uma vastidão impossível de ser percorrida por um único trabalhador, por mais aquinhoado que seja. O cansaço exige pausas, a pancadaria mental e emocional de muitos, em franco desequilíbrio e já na fronteira da perda do sentido existencial cobra alto preço aos que se dedicam a atenuar esse panorama afligente de nossos dias.

Bastará ligeiro olhar aos tempos remotos para perceber que o Divino Mestre também começou a tarefa sem ninguém e oportunamente foi buscar o auxílio de doze homens, quase todos analfabetos.

Temperamentos difíceis, gênios fortes, impulsivos.

E só Jesus para controlar o incêndio das paixões, diminuindo as tensões no colegiado apostólico então nascente.

Se com aquele grupo era difícil a empreitada, pior seria sem eles. E prosseguiu melhorando pelo verbo e pela ação constante o ânimo dos companheiros de ideal.

Valorizou a amizade de um, a fidelidade do outro, a inteireza moral de outro mais e foi insuflando confiança na união de todos.

Adentrou o supremo testemunho a sós... com Deus.

Identificou lealdade no peito de um ladrão, exausto de errar e sentenciado ao martírio do lado D'Ele.

Presentes ao drama do calvário, somente sua mãe, ralada de dor e João, o Evangelista, a sustentando nas horas difíceis.

E depois, a multidão infinita de adeptos e simpatizantes, a se espalharem no mundo, qual imenso exército de luzes e socorro aos milhões em tresvario.

Ergueram-se fogueiras, cruzes, punhais silenciosos e interrogatórios humilhantes, mas a força do amor foi diluindo as muralhas do ódio e da violência.

Eram e ainda são poucos os verdadeiros adeptos, a caminho do apostolado santificante, mas seus labores estão a alterar rotas de alguns, produzindo safras de otimismo e chuva de confiança em terras antes áridas.

És tu alguém chamado a ofertar o pouco que tenhas. Mãos calejadas, ombros fatigados, ouvidos que se acostumaram a ouvir o choro de crianças famintas e doentes, bem como a catilinária da rebeldia.

O Cristo se vale de teus olhos para rever as paisagens terrestres, de teus braços para agilizar socorro e amparo aos caídos e tuas pernas serão suporte por onde Ele caminhará no mundo, diminuindo a amargura.

Vai! Segue!

Essa escolha a fizeste antes do berço, prossegue em tua vilegiatura física presente e seguirá contigo após o cansaço extremo fechar tuas pálpebras, quando o anjo da morte vier recolher teu espírito para paisagens etéreas. É quando ouvirás em tua acústica mais profunda:

~ Vem, meu filho muito amado! Já atravessaste a porta estreita. Repousa por alguns instantes, refazendo tuas fibras mais íntimas, mas enquanto a Terra possuir um gemido de dor e uma lágrima vazar pelos olhos de uma criança, não me é lícito repousar.

Entenderás, em definitivo, a expressão por Ele proferida um dia:

~ Meus discípulos serão reconhecidos no mundo por muito amarem!

Assim caminha a humanidade...


Marta (Espírito)

Juazeiro/BA., 18.10.2026


Médium: Marcel Mariano



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