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Atribui-se à Heródoto de Alicarnasso a condição de pai da história, por ter sido exímio narrador das civilizações antigas, destacando suas misérias e seus esplendores. Em visitando o Egito antigo, teve ocasião para afirmar que aquela nação era um presente do Nilo, seu principal rio até os dias de hoje.
E nas páginas amareladas da história, todos eles, os grandes impérios do passado, passaram...
Suas capitais suntuosas, seus imperadores ou reis arbitrários, suas culturas fascinantes e sua filosofia exuberante. Em museus e arquivos ainda se preservam registros dessas sagas apaixonadas e febris de tempos passados.
Igualmente, cada um de nós possui um histórico de vida, a se perder num pretérito insondável.
Não nos referimos aqui tão somente ao equipamento físico, recebido pelo espírito como empréstimo precário na fecundação e devolvido por ocasião da anóxia cerebral. Nossa metragem se estende além do zigoto e vai depois da campa mortuária.
Em quantas culturas já estivemos mergulhados corporalmente, experimentando essa ou aquela experiência evolutiva?
Ora em destaque econômico e político e outras vezes em condição de pária social. Vestindo trajes finos ou sob trapos imundos. Manejando o saber da língua, da cultura e do conhecimento científico, então disponível, e em outras circunstâncias, sob a zombaria do populacho irresponsável, vergado ao peso da ignorância e do analfabetismo.
Membro de família opulenta, assinalada por vastos recursos financeiros, ditando a conduta que outros deveriam seguir, e algumas vezes em mergulho na constelação familiar pobre, criando ovelhas e cabras em terras secas e hostis.
Morando em promontórios de beleza indescritível, de frente para os oceanos conhecidos, mas em alguns períodos situados pela vida em pleno deserto, experimentando a escassez de água e a aridez das paisagens.
Sim, ninguém pode negar que somos viajores de muitos corpos, buscando a verdade existencial.
Santuários famosos foram por nós visitados, à cata de informações sobre o destino e as amarguras da vida.
Buscamos gurus e avatares em florestas bravias e grutas escuras, tentando decifrar as incógnitas do destino.
Erguemos deuses de pedra e pirâmides de sacrifícios.
O deserto secou nossas lágrimas e a tempestade varreu nossos sonhos.
Em quantos cemitérios jazem corpos que usamos e deixamos pela metade do tempo previsto, sedentos de sensações e loucos pelo poder efêmero do mundo?
Até que Ele surgiu.
Rasgou nossa seda de ilusões. Iluminou nossa madrugada de fantasias com sua claridade interior.
Contou histórias e narrou parábolas quando tudo era silêncio. Não viu nossos erros, nem julgou nossas criminosas intenções. Nos juntou os pedaços na estrada e nos deu um sentido existencial. Confiou-nos sementes preciosas, confiando em nossa capacidade de semear a esperança em outros corações.
Chorou nossas quedas.
Sorriu com nossas alegrias infantis.
E quando fomos visitados pelos espinhos do mundo, pelo fel da ingratidão, pelo abandono dos afetos e sofremos a punhalada dos parentes, Ele surgiu em nosso nevoeiro de sombras e acendeu a lamparina do otimismo, descortinando aos nossos olhos exaustos de chorar uma primavera jamais imaginada.
Deu-nos a mão e nos soergueu da queda.
Apontou rumos novos e nos deixou escolher:
Ele ou César?
Perdoe se finalizo a página sem uma resposta.
Essa parte é privativa de cada um.
Marta (Espírito)
Salvador, 24.05.2026
Médium:
Marcel Mariano


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