Imagem ilustrativa
Será muito desafiador para qualquer estudioso dos dois mil anos de cristianismo estimar o número de mártires, que deram a própria existência por amor a Jesus.
Nem sempre os anais da história anotou-lhes a passagem, e incontáveis sucumbiram ao martírio imposto pela ignorância sob anonimato total.
Quando uma ideia nova chega ao mundo, sofre ela a impiedosa perseguição daqueles situados na zona de conforto, incomodados com as renovadas concepções.
A filosofia ancestral, periodicamente, sofre novas interpretações de correntes arejadas de novos pensadores. Diariamente, princípios científicos são revistos por estudiosos e pesquisadores, a se valerem da contribuição mental daqueles que os antecederam. A religião, qual barcaça a navegar em mar revolto, de tempos em tempos, é visitada por ventos de bruscas mudanças, obrigando as massas de ovelhas desorientadas a buscarem novos pastores.
Quando o inesquecível mestre galileu vestiu-se de carne numa gruta de Belém, inaugurava na Terra em sombras um período inesquecível, onde o amor buscava espaço na justiça implacável, ansiando por secar lágrimas e devolver a esperança aos corações estiolados das massas aturdidas pela opressão política e religiosa de então.
Já no seu messianato divino e logo após Sua despedida sangrenta das arenas terrestres, discípulos sinceros e semeadores da Boa Nova já se viram sob os estigmas do sinédrio intolerante, das autoridades despóticas de Roma, padecendo sofrimentos atrozes e testemunhos na carne.
Cruzes se ergueram aos milhares, empalamentos hediondos, circos de horrores e espetáculos de perseguição implacáveis se fizeram surgir em toda a bacia do mediterrâneo, tentando calar as vozes que proclamavam um novo tempo.
E os mártires, ébrios de felicidade e tocados por luzes espirituais que o mundo não enxergava, desceram aos cenários de tortura e morte, doando seus corpos em honra da mensagem cristã.
E a ampulheta do tempo lhes cobriu as pegadas, mas não pôde apagar a luminosa mensagem de sacrifício em favor da libertação espiritual dos cativos das ilusões mundanas.
Eis os novos tempos, sob a rutilante claridade do Consolador prometido por Jesus ao mundo. A ciência faz-se religiosa, a religião busca ser científica e a filosofia socrática é restaurada nos seus alicerces, propondo que não se deixe de pensar na ética, na conduta e nas reações que advirão no curso do tempo.
Hoje, a luta é íntima, a batalha é contra as imperfeições morais, o holocausto é para diluir as sombras do ego em tresvario, buscando compreender que Jesus necessita de braços e mãos que no mundo material O representem, levando aos aflitos consolação e aos filhos do calvário o apanágio da esperança, acenando-lhes com a certeza da imortalidade da alma após a ruína da casa orgânica.
Além das cinzas misérrimas que aguardam a decomposição dos despojos materiais, o Espírito em trânsito pela matéria densa é um herdeiro da luz divina, fadado à perfeição, atravessando os testemunhos do mundo e a zombaria ou indiferença dos ainda anestesiados para a realidade espiritual.
Ide, novos obreiros da Era de luz que esplende dos sepulcros, onde os antigos mártires ressurgem qual exército sem armas, espalhando na Terra em transe o favo da misericórdia e o orvalho da alegria sem fim.
Marta e Vianna de Carvalho. ( Espíritos)
Salvador, 19.07.2026
Médium: Marcel Mariano


Nenhum comentário:
Postar um comentário