domingo, 30 de agosto de 2026

Guardamos nossas memórias em papiros e pergaminhos.

 



 

Ligeiro olhar nosso sobre o colosso terrestre e poderemos enxergar a profunda harmonia da natureza, caminhando sobre os trilhos do caos e da agitação dos elementos.

Desde eras priscas, quando a massa incandescente se separou da coroa solar, para situar sua rotação a quase 150 milhões de quilômetros do astro rei, o frio do espaço, os bombardeios dos meteoros e outros fatores se encarregaram de amenizar, em bilhões de anos, a ardência da fornalha planetária, preparando o cenário onde a vida iria se manifestar.

No abismo das águas salgadas, nos pântanos primitivos, uma sopa de nutrientes começou a surgir, se fazendo berçário de seres unicelulares, trilobitas e incontáveis organismos simples, dotados apenas do tato, em aperfeiçoamento incessante pela morte e ressurgimento, além das mudanças químicas e biológicas.

As imensas florestas de coníferas, o plâncton dos mares e a incidência dos raios solares sobre o protoplasma proporcionaram o surgimento de novos seres, a se multiplicarem, abundantes, no seio dos abismos oceânicos. A Terra era um imenso laboratório de experimentos da vida, sob a gestão do Divino Mestre.

Tivemos que aguardar quase cinco bilhões de anos para que o cenário do orbe pudesse acolher a vida racional como a conhecemos hoje. Primitiva e simiesca no seu início, sofreu incontáveis injunções de natureza evolutiva, alterando o córtex reptiliano para a estruturação da base cerebral, onde as emoções superiores pudessem se manifestar com maior clareza. E, de dez milhões de anos para cá, a sociedade deu um gigantesco salto de evolução da corporalidade, saindo das árvores para a caverna, das grutas para a palafita e desta para as cidades amuralhadas do pretérito recente.

Organizamos o Estado, a gestão pública e privada, acumulamos bens materiais e nos deixamos arrastar pela sede da posse possuidora.

Erguemos totens e templos, onde cultuamos o sagrado, segundo nossas concepções. Tentamos aplacar a ira divina com sacrifícios de irracionais e semelhantes, ignorando que Deus é senhor da vida e não da morte.

Guardamos nossas memórias em papiros e pergaminhos, elaboramos leis e tratados, discursos de paz e clamores de guerra.

Construímos maternidades para acolher a vida e nos destruímos nas guerras fratricidas, exterminando o outro quando este não cedia aos nossos caprichos.

Agora, em tempos ditos modernos, somos os senhores da inteligência artificial e da comunicação ligeira, das invenções admiráveis e da exploração espacial, das safras abundantes e da previsão do tempo por satélites fora do globo terrestre.

Se muito evoluímos no pensar, o sentir ainda claudica. Se os neurônios reinam, soberanos, o coração parece enfartado.

Os mesmos olhos que fitam as estrelas, buscando algum sinal de vida extraterrestre, são aqueles mesmos que choram as amarguras de cada dia.

A mão que conforta é a mesma que, em outro momento, apedreja e fere.

Os lábios que num instante balbuciam preces e cânticos religiosos, num minuto seguinte estão a proferir maldição e anátema.

Quanta falta faz Jesus no coração da criatura humana!

Só Ele conseguiu nos sinalizar a própria pequenez moral, nos amparando na tentativa de acertar o passo. Nos legou diretrizes éticas, sem nos constranger a segui-Lo. Silenciou diante de nossas calúnias e nos apontou diferentes estradas de sublimação e trabalho iluminativo.

Paciente, nos espera há milênios sem fim.

Se tens interesse e disposição em avançar nos trilhos da Boa Nova, abre-te ao sol gentil da mensagem cristã, ausculta teu mundo íntimo e marcha, um dia após o outro, adotando Ele como modelo e guia, referência e paradigma de um novo tempo.

Estes tempos já são chegados.

O ontem passou, o amanhã vai surgir mais tarde.

Hoje. Aqui e agora.

Decidiste?


O peregrino. (Espírito)

Salvador, 30.08.2026


Médium: Marcel Mariano




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